Integrantes do PT demonstram preocupação crescente com o cenário político do governo Lula 3, especialmente com a reorganização das forças políticas que apoiaram Lula em 2022 e que agora mostram sinais de afastamento para 2026. As lideranças do partido observam com apreensão o fortalecimento de adversários políticos, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que recentemente participou de eventos significativos, como um jantar organizado por Luciano Huck e um evento em Nova Iorque onde foi longamente aplaudido. A percepção dentro do PT é que, caso Lula não esteja competitivo, Tarcísio pode se lançar à presidência em 2026.
Além disso, a oposição, liderada por Jair Bolsonaro, está em constante mobilização, enquanto Lula, segundo uma alta fonte do PT, está “acantonado” e evitando eventos públicos. Em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, uma pesquisa do Datafolha mostrou que Tarcísio é mais bem avaliado que Lula. Para piorar, a base aliada tem votado contra o governo, como evidenciado na sessão do Congresso que derrubou o veto de Lula à lei da saidinha, com o partido União Brasil, que possui três ministérios relevantes, dando apenas um voto ao governo.
Internamente, membros do PT defendem uma guinada à esquerda no governo para evitar uma derrota nas eleições de 2026. Há uma crítica à política econômica de Fernando Haddad, vista como restritiva e que impede o crescimento eleitoral da legenda. Setores do partido sugerem a flexibilização do marco fiscal aprovado pelo Congresso em 2023, como uma forma de mudar a política econômica e fortalecer o governo. A medida é vista como necessária para evitar o congelamento de gastos com saúde e educação, uma ideia defendida por Haddad e pela ministra do Planejamento, Simone Tebet.
Uma ala influente do PT considera o marco fiscal uma “espada em cima do partido”, impedindo a execução de políticas públicas que poderiam resgatar a popularidade do governo e torná-lo mais competitivo nas eleições. Movimentos grevistas de servidores federais da educação e meio ambiente são citados como exemplos de problemas exacerbados pela política fiscal restritiva. Para contrapor Haddad, está sendo programado um seminário com economistas críticos à atual política econômica.
Parlamentares do PT também veem uma desconexão entre a agenda econômica atual e a histórica do partido, que sempre defendeu a progressividade tributária e a taxação de grandes fortunas. Há um clamor crescente por uma reforma ministerial no curto prazo, com sugestões de mudanças de cargos para fortalecer o governo e reduzir ministérios de partidos infiéis. Entretanto, Lula sinalizou que mudanças só ocorrerão após a eleição municipal.
As especulações sobre a candidatura de Lula à reeleição aumentam, com questionamentos internos sobre os riscos de ele disputar sua última eleição. As disputas internas no governo, especialmente entre os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Fernando Haddad (Fazenda), dois potenciais candidatos para o pós-Lula, também ganham destaque, refletindo a tensão e a necessidade de ajustes nos rumos do governo.

