A inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo registrou alta de 0,33% em dezembro, resultado 0,15 ponto percentual superior ao índice observado em novembro, quando havia ficado em 0,18%. Com esse desempenho no último mês do ano, o IPCA acumulou avanço de 4,26% em 2025, encerrando o período dentro do limite da meta oficial de inflação, fixada em até 4,5% no acumulado de doze meses.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, responsável pelo cálculo do indicador que acompanha a variação do custo de vida das famílias brasileiras. Segundo o instituto, apenas o grupo Habitação apresentou queda no mês, enquanto todos os demais grupos de produtos e serviços pesquisados registraram aumento de preços.
A maior variação percentual e o maior impacto individual sobre o índice de dezembro vieram do grupo Transportes, que subiu 0,74% e respondeu por 0,15 ponto percentual do resultado do mês. Na sequência, Saúde e cuidados pessoais teve alta de 0,52% e impacto de 0,07 ponto. O grupo Artigos de residência avançou 0,64%, após ter registrado queda de 1% em novembro.
De acordo com o IBGE, “no grupo dos Transportes, o resultado foi influenciado pelo aumento nos preços do transporte por aplicativo e das passagens aéreas, subitem com maior impacto individual no índice do mês”. Os preços das passagens aéreas subiram 12,61%, enquanto o transporte por aplicativo avançou 13,79%. Já os combustíveis, que haviam recuado em novembro, voltaram a subir 0,45%, com destaque para o etanol, que teve aumento de 2,83%.
No grupo Artigos de residência, a alta observada em dezembro refletiu principalmente o comportamento dos preços de TV, som e informática, que subiram 1,97%, e dos aparelhos eletroeletrônicos, com avanço de 0,81%. Ambos os subitens haviam registrado quedas expressivas no mês anterior, o que contribuiu para a reversão do movimento.
Em Saúde e cuidados pessoais, o aumento de 0,52% foi puxado pelos reajustes dos planos de saúde e pelos artigos de higiene pessoal. Segundo o instituto, esses itens mantiveram trajetória de pressão sobre o orçamento das famílias ao longo do ano, ainda que em ritmo moderado nos últimos meses.
O grupo Alimentação e bebidas apresentou alta de 0,27% em dezembro. A alimentação no domicílio interrompeu uma sequência de seis meses consecutivos de queda e subiu 0,14%, influenciada principalmente pelos aumentos da cebola, da batata-inglesa, das carnes e das frutas. O IBGE destacou que houve elevação nos preços de cortes como contrafilé, alcatra e costela, além de produtos como mamão e banana-prata. Em sentido oposto, leite longa vida, tomate e arroz registraram queda.
A alimentação fora do domicílio também acelerou, passando de 0,46% em novembro para 0,60% em dezembro, com alta mais intensa nos preços dos lanches em comparação às refeições.
Único grupo com variação negativa no mês, Habitação saiu de uma alta de 0,52% em novembro para queda de 0,33% em dezembro. Segundo o IBGE, “o resultado foi influenciado pela redução da energia elétrica residencial, subitem de maior impacto negativo no índice”. A mudança na bandeira tarifária, com cobrança adicional menor, contribuiu para a desaceleração dos preços da energia.
O IPCA considera famílias com rendimentos entre um e quarenta salários mínimos e coleta preços de trezentos e setenta e sete subitens. A pesquisa abrange dez regiões metropolitanas, além de Brasília e capitais como Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.
Em 2025, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor acumulou alta de 3,90%, abaixo do resultado de 2024. Segundo o IBGE, a desaceleração foi influenciada principalmente pelo comportamento mais moderado dos preços dos alimentos ao longo do ano.
Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

