As Forças Armadas do Irã lançaram mísseis contra a base militar Al-Udeid, localizada no Catar, no Oriente Médio. A ação foi inicialmente noticiada pelas agências iranianas Fars News e IRNA News e, posteriormente, confirmada pelo governo do Catar, que condenou o ataque e declarou ter interceptado os mísseis lançados. O bombardeio foi uma resposta iraniana aos ataques aéreos dos Estados Unidos contra três instalações nucleares iranianas, realizados no último sábado, dia 21.
Em um comunicado oficial, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã informou que a ofensiva foi uma reação direta ao que classificou como um ataque agressivo e injustificável dos Estados Unidos contra seu território e suas instalações nucleares. O Irã alegou ter utilizado, no ataque à base Al-Udeid, o mesmo número de mísseis que os Estados Unidos teriam usado nos bombardeios às instalações nucleares. Segundo o comunicado, o alvo foi escolhido de forma a não colocar em risco áreas urbanas no território catariano.
O governo iraniano reforçou que o ataque não teve como objetivo o povo catariano, considerado um aliado histórico, e que a República Islâmica mantém o compromisso de preservar relações amistosas com o Catar. A emissora local Al-Jazira relatou que explosões foram ouvidas e que sinalizadores foram avistados no céu de Doha, capital do Catar. O país anunciou o fechamento temporário de seu espaço aéreo como medida de segurança.
A base Al-Udeid, considerada a maior instalação militar dos Estados Unidos no Oriente Médio desde sua fundação em 1996, abriga aproximadamente 10 mil pessoas entre militares e civis. Após o ataque, o ministro das Relações Exteriores do Catar condenou publicamente a ação iraniana, classificando-a como uma violação da soberania nacional. O governo catariano informou que, diante da escalada de tensão na região, a base havia sido previamente evacuada por medidas de segurança, o que evitou feridos ou vítimas no incidente. As autoridades locais destacaram que o ataque foi contido pelas defesas aéreas do país.
Em nota oficial, o Catar afirmou que se reserva o direito de responder de forma proporcional, caso entenda necessário, de acordo com as normas do direito internacional. O governo ressaltou que todos os protocolos de proteção e evacuação foram seguidos para garantir a segurança das forças locais, aliadas e demais ocupantes da base.
O ataque ocorre em meio à intensificação do conflito no Oriente Médio. No último dia 13, Israel lançou um ataque surpresa contra o Irã, aumentando a tensão regional. No sábado seguinte, os Estados Unidos bombardearam três usinas nucleares iranianas: Fordow, Natanz e Esfahan. O Irã alega que seu programa nuclear é voltado exclusivamente para fins pacíficos e que estava em processo de negociação com os Estados Unidos para firmar um novo acordo de controle nuclear no âmbito do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, ao qual o país é signatário.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) vinha denunciando que o Irã não cumpria integralmente suas obrigações no tratado, embora a agência afirmasse não possuir provas concretas de que o país estivesse construindo uma bomba atômica. O Irã, por sua vez, acusa a AIEA de agir sob influência política das potências ocidentais, especialmente Estados Unidos, França e Reino Unido, que têm manifestado apoio a Israel no confronto contra Teerã.
O histórico da região indica que, apesar de Israel se opor ao desenvolvimento de armas nucleares pelo Irã, diversas investigações sugerem que Israel mantém um programa nuclear secreto desde a década de 1950, com estimativas apontando a existência de pelo menos 90 ogivas atômicas.
Foto: Itay Cohen

