O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, afirmou que sua geração tem um compromisso ético e político com a defesa da democracia no Brasil e minimizou o fato de os Estados Unidos terem revogado seu visto de entrada no país. A declaração foi feita durante o evento “Direito, democracia e crédito: construindo um desenvolvimento sustentável e equitativo”, realizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no Rio de Janeiro.
Messias ressaltou que a democracia brasileira não é uma escolha, mas uma obrigação coletiva. Ele relembrou os impactos da ditadura militar, entre mil novecentos e sessenta e quatro e mil novecentos e oitenta e cinco, citando desaparecimentos forçados, torturas e famílias destruídas. “Se eu tiver que perder meu visto para os Estados Unidos, para que filhos não percam os seus pais, eu perco meu visto. Não vale a pena”, afirmou. “Não vamos abrir mão daquilo que nós acreditamos, daquilo que nós juramos defender. A democracia é um elemento fundamental. Nós não vamos abrir mão da nossa democracia”, completou o ministro.
Ele destacou que a redemocratização do país foi resultado de uma luta coletiva e que cabe às novas gerações proteger os avanços obtidos ao longo das últimas décadas.
O governo norte-americano já havia revogado os vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino, Luis Roberto Barroso, Edson Fachin, Dias Toffoli e Cristiano Zanin. A medida faz parte de um pacote de retaliações adotado por Donald Trump contra o Brasil em razão do julgamento e condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seus aliados pela tentativa de golpe de Estado.
Durante o evento no BNDES, o presidente da instituição, Aloizio Mercadante, manifestou solidariedade a Messias. “Eu nunca o vi curvar a coluna vertebral para abrir mão da ética ou dos princípios, dos valores essenciais que a democracia e a República precisam. Esse sacrifício vai ser reconhecido ao longo da sua vida. E nós vamos continuar lutando”, declarou Mercadante, classificando a decisão dos Estados Unidos como uma “injustiça brutal”.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

