O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, informou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que continuará no cargo, apesar de já ter demonstrado interesse em deixar a pasta. Após dois anos de atuação intensa, marcados por esforços para manter a estabilidade na relação entre o governo e as Forças Armadas, ele decidiu adiar sua saída.
Fontes próximas ao ministro indicam que ele já havia esvaziado seu gabinete e aguardava um encontro com Lula para discutir sua saída. No entanto, em reunião realizada na última sexta-feira, o presidente pediu que ele permanecesse no cargo pelo menos até o final do ano.
A permanência de Múcio é vista com bons olhos pelos comandantes militares, que demonstraram resistência à possibilidade de o vice-presidente Geraldo Alckmin assumir a Defesa. O ministro, por sua proximidade com Lula, é considerado um nome capaz de manter diálogo com as Forças Armadas.
Nos bastidores, a possibilidade de Alckmin assumir o Ministério da Defesa tem sido cogitada como parte de uma reestruturação ministerial. Nesse cenário, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, atualmente sob o comando do vice-presidente, poderia ser destinado a um partido aliado.
Múcio tem defendido que seu sucessor precisa ter um perfil conciliador e ser uma figura de peso para garantir a confiança das tropas. Desde que assumiu, ele enfrentou desafios como suspeitas de envolvimento de militares em atos antidemocráticos. Com o avanço das investigações e a prisão de alguns oficiais, ele enfatiza que as infrações foram cometidas por indivíduos, buscando preservar a instituição militar como um todo.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

