A 6ª Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA) começou nesta segunda-feira (6), em Luziânia (GO), reunindo cerca de oitocentas pessoas de todo o país, entre estudantes de onze a quatorze anos, professores e representantes das comissões estaduais. Com o tema “Vamos transformar o Brasil com Educação e Justiça Climática”, o evento é considerado um dos principais preparatórios para a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), que acontecerá em novembro, em Belém (PA), sob liderança do governo brasileiro.

Durante a abertura, foram apresentados dados do Censo Escolar 2024, indicando que as mudanças climáticas já afetam diretamente a rotina educacional brasileira. Aproximadamente seis vírgula sete por cento das escolas, o equivalente a dez mil quinhentas e quarenta e uma unidades, e seis vírgula um por cento dos alunos da educação básica — cerca de dois milhões e meio de estudantes — tiveram atividades suspensas em razão de eventos climáticos extremos.

Idealizadora da primeira edição da conferência, realizada em 2003, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou a importância de incluir crianças e adolescentes no debate sobre justiça climática e políticas ambientais. “As ondas de calor prejudicam muito mais as crianças e os idosos. Quando há incêndios, são as crianças que pagam o preço mais alto com problemas respiratórios”, afirmou.

Segundo Marina, a conferência é um espaço de aprendizado e mobilização que estimula uma “mudança de mentalidade capaz de gerar mudança de atitude”. Ela destacou que, desde 2003, o evento busca promover diagnósticos sobre os desafios ambientais e propor soluções a partir da perspectiva das novas gerações. “A abordagem voltada à linguagem das crianças cria um espaço de esperança, essencial para que a transformação aconteça”, acrescentou.

As propostas elaboradas pelos delegados durante os cinco dias de conferência serão levadas à COP30, por meio do Balanço Ético Global (BEG), documento que refletirá as opiniões e sugestões das crianças e adolescentes. “A voz das crianças será levada à COP30 na versão que elas mesmas criaram, com propostas concretas que serão apresentadas aos negociadores e tomadores de decisão”, explicou a ministra.

Marina ressaltou que a 30ª edição da conferência da ONU, a primeira realizada na Amazônia brasileira, deve ser marcada pela efetivação das medidas já discutidas em encontros anteriores. “Nós já tomamos decisões importantes, como viabilizar recursos de cerca de um trilhão e trezentos bilhões de reais, triplicar a energia renovável e duplicar a eficiência energética. O que falta agora é o compromisso político e ético de implementar essas medidas. Por isso, o presidente Lula tem dito que essa tem que ser a COP da verdade”, afirmou.

A 6ª CNIJMA, que segue até sexta-feira (10), envolve estudantes do ensino fundamental — do 6º ao 9º ano — e mobilizou, desde o primeiro semestre, oito mil setecentas e trinta e duas escolas de dois mil trezentos e sete municípios brasileiros. Destas, mil duzentas e noventa e três estão em áreas de risco socioambiental e cento e cinquenta e oito atendem estudantes com deficiência.

O Ministério da Educação (MEC) registrou ainda a participação de mil quatrocentas e setenta e oito escolas rurais, cento e oitenta e seis indígenas e cento e trinta e nove quilombolas, abrangendo todas as unidades da federação e o Distrito Federal.

A programação da etapa nacional inclui atividades culturais, oficinas, gincanas e painéis de diálogo entre jovens e adultos. O evento é organizado pelos ministérios da Educação (MEC) e do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

 

 


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