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A prisão de um influenciador digital, há pouco mais de uma semana, em Belo Horizonte, acusado de estimular ataques contra ministros da Suprema Corte, é parte do monitoramento que o Judiciário tem feito de grupos com potencial de criar alvoroço e instabilidade social semelhantes ao que os Estados Unidos viveram no dia 6 de janeiro de 2021, quando houve a invasão do Capitólio.

Naquela data, apoiadores do ex-presidente americano Donald Trump tentaram evitar a formalização da vitória de Joe Biden nas urnas.

A reportagem conversou com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que, sob reserva, afirmaram que o Judiciário tem feito um mapeamento de grupos com potencial de ataques e invasões no Brasil, motivados por resultado que não os agradem nas eleições.

A dois meses para o pleito, ministros afirmam que o Judiciário tem agido com ações de inteligência para desarmar esses grupos antes mesmo que pratiquem algum ato violento. Um ministro enfatizou que ninguém apareceu de repente em frente ao Capitólio. E que, também no Brasil, há grupos que se organizam no subterrâneo da internet com intuito de agir contra instituições.

Esse ministro sustenta que o Judiciário está com muitos radares ligados. E que a prisão em Minas Gerais é apenas um exemplo de recado para grupos extremistas.

A prisão temporária do influenciador digital Ivan Rejane foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, que neste mês assumirá o comando do TSE.

Rejane pode ter a prisão preventiva decretada. A investigação teme destruição de provas e também quer identificar outras pessoas que possam fazer parte da mesma rede de ataques. A Polícia Federal chegou a informar ao STF que o preso buscaria a adesão de seguidores com objetivo de atingir mediante violência a integridade física de ministros do STF.

Para fontes do Judiciário, a sensação é de que as instituições estão tendo seus limites testados. Por isso, cenários dos mais críticos, como agir em caso à invasão de órgãos públicos, não estão descartados.

Com base nestas preocupações, a Justiça Eleitoral definiu protocolos de como divulgará o resultado do primeiro e, eventualmente, do segundo turno das eleições. E também como agirá após a divulgação.

É que mesmo após as eleições, a leitura no meio jurídico é de que o ambiente continuará sob tensão. Até a posse do novo governo, seja Bolsonaro reeleito ou a escolha de outro nome, haverá pelo menos dois meses. Tempo maior levará para a posse do novo Congresso. O Parlamento permanece o mesmo até o início de fevereiro, quando serão empossados os deputados e senadores eleitos em outubro deste ano.


Paola Tito

editor

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