Tema da maior importância para a população, a saúde foi um dos pontos abordados no debate entre os candidatos ao governo de Minas Gerais, transmitido na noite de terça-feira pela Rede Globo. O candidato do PSD, Alexandre Kalil, vencedor no confronto com o atual governador Romeu Zema, destacou a saúde como área prioritária em seu plano de governo e questionou a promessa do adversário de finalizar as obras de seis hospitais regionais.

O Zema prometeu terminar os hospitais e não cumpriu. Agora promete novamente um Regime de Recuperação Fiscal que ele impôs ao Estado. No artigo 89, é proibido o acréscimo de funcionários em qualquer espécie. Como colocar hospitais para funcionar, não podendo contratar médicos, enfermeiros e atendentes?”, perguntou.

O ex-prefeito de Belo Horizonte criticou a campanha do adversário por criar falsas expectativas na população. “Acho que pode inventar qualquer coisa em campanha, mas que não afete a vida de ninguém. Mas quando mexe com saúde e se dá a expectativa de uma vida melhor para esse povo sofrido que vai para a fila, é muito cruel. De todo o tipo de crueldade que eu vi na sua campanha, essa foi a pior. Com saúde não se brinca, saúde é coisa séria. E o mais cruel é que é o pobre quem precisa do SUS.”

No embate com Zema, Kalil contestou várias afirmações do candidato do Novo. “O governador fala muito em número e disse que vai investir a ‘fortuna’ de R$ 9 bilhões no Estado na área de saúde. Só para ele saber, Belo Horizonte vai investir neste ano R$ 5,3 bilhões. Isso é só uma cidade.”

Quando o governador declarou que sua gestão comprou “recentemente 700 micro-ônibus para transportar pacientes”, o candidato do PSD rebateu afirmando que não é o caso de investir no transporte de doentes, mas que é preciso “botar a saúde perto do doente”. “Ônibus não é lugar de doente, lugar de doente é hospital. Esse governo não tem coração para tratar da saúde, tratar de saúde é ter coração.”

O candidato do PSDB Marcos Pestana também desmentiu que Zema tenha feito avanços na área da saúde e listou os programas interrompidos neste governo. “Alguém anda dizendo aí que destruir é muito fácil, mas construir é difícil. Eu concordo. Destruíram o Saúde em Casa, tínhamos uma rede de urgência e emergência atuante, o Farmácia de Minas respondia pela questão dos medicamentos, o Vida +, e isso tudo foi dissolvido. Por isso, a mortalidade infantil voltou a crescer e por isso Minas teve recuos na saúde.”

Visão privatista

Lorene Figueiredo, candidata do PSOL, criticou a visão privatista do governo do Novo, explicando que o Regime de Recuperação Fiscal impõe o congelamento do teto de gastos e impede a contratação por meio de concursos ao longo de nove anos. “O que acontece, na verdade, é que nós estamos diante de um conjunto de propostas vazias”, sustentou.

Mas com isso ele libera a possibilidade de contratar novos créditos. Então, ele acumula dívida em cima de dívida. Quando tudo isso estiver esgotado, você não tiver o hospital funcionando por falta de pessoal, tiver escola fechando por falta de professor, ele vai te oferecer uma saída muito fácil. Ora bolas, o que nós vamos fazer, se o Estado não pode garantir? Vamos inventar uma parceria público privada. Vamos privatizar. E assim vai transferir o patrimônio público dos mineiros, os direitos sociais, vai ser transformado em mercadoria e todo mundo vai ter que pagar por tudo.”

Kalil defendeu que “governar é um ato de amor”. E deixou claro que fica indignado com a falta de cuidado de muitos governantes com o povo. “Governar é um ato de compaixão, de coragem. Eu sou mesmo assim. Não fui eleito em concurso de Miss Simpatia. E foi assim que eu fiz um centro de saúde a cada dois meses em Belo Horizonte, foi assim que eu abri o Hospital do Barreiro, com 460 leitos. Por isso, digo vamos colocar coração para o meio ambiente, para a educação e a saúde. É preciso ter coração e coragem.”


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