Os números mostram que Minas Gerais vem sofrendo com o descaso do poder público nos últimos anos. Um dado estatístico, em especial, causa muita indignação e desconforto em Alexandre Kalil, candidato do PSD ao governo do Estado: os quase 5 milhões de mineiros que passam fome atualmente. Em encontro nesta terça-feira (6 de setembro) com alunos da Universidade Fumec, em Belo Horizonte, Kalil relembrou cenas que o motivaram a combater a pobreza quando eleito prefeito da capital, em 2016. E destacou que é esse o caminho que quer continuar trilhando como governador.
“Eu botei meu pé em muitos lugares. Quando fui candidato, em 2016, vi coisas que muita gente nunca viu, que vão desde a miséria absoluta, crianças pastando com porco em lixão, e eu não fui ao Sudão ver isso não, eu fui ali atrás da avenida Tancredo Neves (em Belo Horizonte), que hoje é um belo conjunto habitacional. Eu tirei o lixão e construí casas, junto com uma equipe espetacular que me acompanhou na prefeitura”, destacou o ex-prefeito de BH.
Políticas de assistência social, atreladas à habitação, como a que foi apontada pelo candidato do PSD no bate-papo com os universitários, não são realidade na gestão do governador Zema (NOVO), que ainda condena a distribuição de cestas básicas como alternativa para o combate à fome. Com a experiência de administrar a capital, cuja receita é maior do que a de 11 estados brasileiros, e com a parceria com o ex-presidente Lula, Kalil quer mudar a história de Minas colocando a Assistência Social no orçamento.
“Deus me deu uma grande oportunidade, eu conheci, eu andei, eu pus botina e fui lá ver a mazela, a tristeza e o abandono. Eu vi coisas do arco da velha, vi coisas que Deus duvida que existam no Brasil, que existam em Belo Horizonte. O egoísmo dessa elite estúpida, ignorante, é de arrepiar”, criticou Kalil.
Na pandemia da Covid-19, em que as medidas de isolamento social afetaram principalmente os mais necessitados, Kalil comandou um plano de combate à fome que, mais tarde, foi reconhecido pela população, nas urnas. “Foram 257 mil famílias cadastradas nesta cidade, para não passar fome, 257 mil famílias que iriam passar fome na pandemia. E assim foi o reconhecimento do povo de Belo Horizonte, que deu a esse prefeito a maior votação da história dessa cidade”, ressaltou o ex-prefeito, arrancando aplausos dos estudantes da Fumec.
Debate produtivo
Muitos temas foram debatidos no encontro com os estudantes universitários. Na educação, por exemplo, Kalil apontou o atual déficit de professores na rede estadual e citou medidas tomadas por ele em BH, que serão replicadas no Estado, como a reforma de escolas, a abertura das instituições de ensino aos finais de semana para atender a comunidade escolar e os investimentos na merenda.
Kalil criticou o fato de a Secretaria de Estado da Educação ter sido comandada por alguém que desconhece a realidade de Minas, principalmente em um período crítico como a pandemia, com sérios reflexos para o ensino. “Somos hoje o 11º Estado do Brasil em escolas integrais, o último do Sudeste. As faculdades estaduais estão devastadas. Mas a secretária de Educação era uma carioca que agora pediu demissão, voltou para o Rio de Janeiro, e na pandemia ficou controlando a Educação do segundo Estado do país, inclusive maior do que o dela, do Rio de Janeiro, por telefone, no momento em que a Educação mais precisou de coordenação, que foi na pandemia”.
Kalil defende que a educação de Minas seja coordenada por um profissional que saia dos quadros das instituições de referência do Estado. “Temos que entregar a educação para quem entende de pedagogia, de educação. Não é possível que aqui dentro da Fumec, dentro da PUC, da UFMG, não tenha ninguém nesse Estado que entenda de pedagogia, que tenha que trazer carioca para tomar conta da educação de Minas”, disse.
Questionado sobre o futuro do Aeroporto Carlos Prates, na região Noroeste de BH, cuja desativação foi anunciada pela União, com a possibilidade de construção de moradias populares no local, Kalil disse ser contrário. “O investimento é muito alto para transformar em moradia. Não tem motivo para tirar o aeroporto, já mataram o da Pampulha, querem assassinar o Carlos Prates. A única cidade grande que não pode ter dois aeroportos é Belo Horizonte”.
O candidato do PSD voltou a criticar as regras do Regime de Recuperação Fiscal, que ele pretende revogar junto ao governo federal. Defendeu mais rigor na fiscalização das mineradoras e o modelo de PPP, mas criticou a PPP do Mineirão, que é deficitária para o Estado. Kalil também reiterou que vai recriar a Secretaria de Estado de Cultura.
Números falsos
Os falsos números apresentados por Zema na propaganda eleitoral, para ludibriar os mineiros, também foram abordados no debate. Kalil foi a Brasília cobrar a abertura do Hospital do Barreiro, em Belo Horizonte, com mais de 450 leitos. Mas o Estado insiste em apontar participação nesta entrega do ex-prefeito.
“Outro dia teve uma propaganda de que o governo ajudou o Hospital do Barreiro, deu R$ 64 milhões para o Hospital do Barreiro. Primeiro, que é mentira. Deu porque tem que dar, senão vai preso, é repasse constitucional. Segundo, é o seguinte: sabe quanto custa o Hospital do Barreiro em quatro anos? Dois bilhões de reais, e o governo está fazendo propaganda eleitoral de que deu R$ 64 milhões, em quatro anos. Então ele só está devendo, porque é tripartite, R$ 460 milhões, porque tinha que ter passado, como manda a Constituição, e não passou. É assim que dão o golpe no povo, falando que R$ 64 milhões é dinheiro para hospital”, afirmou.
O reitor da Fumec, Fernando de Melo Nogueira, destacou que o debate contribuiu para o fortalecimento da democracia no ambiente universitário. “Os alunos participaram, comentaram, se manifestaram, ele (Kalil) reagiu muito bem a todas as manifestações, democraticamente, apresentou suas ideias, se manifestou de forma muito aberta. Então foi um saldo extremamente positivo para a democracia, para a Universidade Fumec, porque nós colocamos uma discussão importantíssima dentro da universidade, e também para o Kalil, que sentiu o calor das pessoas jovens, as manifestações propositivas em relação ao governo dele, então foi muito bom para todo mundo”.

