A população de Ribeirão das Neves espera há mais de uma década por um distrito industrial que ofereça mais de 6 mil empregos, projetado para ser o maior de Minas. A Codemig firmou parceria com o 7º município mais populoso do Estado (quase 340 mil habitantes), para construção desse distrito industrial. Porém, na gestão de Zema nada caminhou. Sem opção de trabalho, os moradores vão para a capital e outras cidades vizinhas, transformando Neves em uma cidade dormitório.

Ribeirão da Neves foi escolhida pelo candidato a governador de Minas Gerais pelo PSD, Alexandre Kalil, para uma caminhada e encontro com eleitores na manhã deste sábado, 3 de setembro. O município é um dos mais carentes da Região Metropolitana de Belo Horizonte. A falta de investimentos públicos e de oferta de trabalho cria uma dependência em relação à capital.

Kalil percorreu ruas do centro e declarou que “não há motivo para que Neves seja uma cidade dormitório e Contagem não seja. Temos que trazer planta industrial para cá, o que é mais fácil porque Neves tem condição territorial para isso e tem escoamento para isso, porque passa a BR aqui na porta”.

Para o candidato, a proposta mais importante para o município é levar infraestrutura. “A gente atrai investimento, em qualquer lugar de Minas Gerais, é dando infraestrutura. Aqui é um lugar que tem pouca infraestrutura, eu conheço bem Ribeirão das Neves, tem que trazer infraestrutura porque já tem uma rodovia que passa aqui”, declarou.

O PIB per capita de Contagem, um dos municípios mais industrializados da RMBH, é de R$ 45,8 mil. O de Betim sobe para R$ 63,8 mil. Enquanto isso, o de Neves é um dos menores da região: R$ 12,9 mil.

Transporte metropolitano

Um ponto comum enfatizado por várias pessoas da cidade é a precariedade do transporte público. Leonardo Oliveira de Castro, 29 anos, trabalha em um caminhão como entregador. Ele diz que “os ônibus estão tudo quebrado (sic), está faltando ônibus, o povo vive reclamando dos ônibus”.

O frentista Leonardo Ferreira de Moura, morador da cidade há 45 anos, também se revolta com as condições do transporte público. “O transporte é uma porcaria. Os políticos aqui fazem as coisas sem consultar a população, não estão preocupados com a população e só fizeram para beneficiar os interesses dos empresários. Antes, a gente pegava um ônibus aqui e ia até Belo Horizonte e, agora, a gente pega um até Justinópolis para pegar outro e depois ir pro centro.”

Kalil abordou o problema e disse que “o transporte metropolitano ficou ao léu, não está sendo fiscalizado”. “O que nós temos que fazer é botar a mão no transporte público, melhorar a condição dos veículos. É um problema que você tem que pôr a cara e resolver. Temos que trocar esses ônibus. Os ônibus metropolitanos são realmente uma vergonha.”

O candidato também abordou a questão da dívida do estado e afirmou que a maneira de resolver o problema é ir a Brasília e renegociar. “Temos que ir a Brasília, porque nós não vamos tirar um estado com R$ 158 bilhões de dívida internamente, para ver o que nós vamos fazer com a infraestrutura e a saúde. Ninguém vai abrir hospital em Minas Gerais com a dívida que temos. Não vamos iludir esse povo, mas nós podemos abrir. Podemos fazer igual fizemos em Belo Horizonte. Fomos a Brasília e abrimos um hospital de 460 leitos e 80 UTIs. Então, o papo é, sem demagogia, é Brasília, sentar em Brasília e tentar tirar Minas Gerais do atoleiro que ele está.”

E criticou a proposta do Regime de Recuperação Fiscal do governo de Romeu Zema: “Temos que tirar este Regime de Recuperação Fiscal, porque não é possível um plano em que não se pode contratar médico, que não se pode aumentar professor, que não se pode contratar, que não pode ampliar nada”.

Posto sem médico

Kalil também afirmou que a saúde faz parte desse plano de investimento em infraestrutura, o que tem bastante efeito no município de Ribeirão das Neves, onde as reclamações são muitas.
“No posto do meu bairro não tem médico, só na segunda-feira. Então, se você está doente, tem que ficar a semana inteira esperando. Esperamos que com Kalil a situação melhore”, conta Suelen Cristina Leão Pinto, 20 anos, autônoma.

A vendedora e estudante de enfermagem Jéssica Kenya diz que a situação é precária. “Se você for na UPA, você vai ficar o dia inteiro para ser atendido, tem muita fila, não tem médico e, quando tem, é um médico para atender mais de 500 pessoas. Para fazer uma cirurgia aqui em Neves tem que ir para BH.”

Sem creches

Outro problema de Ribeirão das Neves é a falta de creches públicas. “Aqui, a maioria é particular e não tem UMEI e, quando tem creche, é longe e a gente tem que pagar transporte particular”, conta Raniele Duarte, 26 anos, dona de casa e mãe de três filhos.

Ela também reclama do atendimento dos postos de saúde, relatando a demora no atendimento e a falta de condições. Mas se diz confiante na mudança: “Lula e Kalil têm que ganhar essa eleição. O Zema não fez nada para Neves, nada, nada, nada”.


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