O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou nesta sexta-feira (04/04) que o partido está dividido em relação à proposta de anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro, tema que voltou a ganhar força com projetos em tramitação na Câmara dos Deputados. Apesar da divisão interna, Kassab indicou que o PSD não deverá se opor ao regime de urgência do texto caso outras siglas importantes, como PL, PP e Republicanos, formalizem apoio à medida.
Segundo Kassab, o debate é legítimo e ainda está em andamento dentro da legenda. “O PSD está dividido, o que é normal. Cada um tem suas posições, e eu ainda estou ouvindo. Na hora certa, estarei alinhado com o líder do partido, dentro do que for decidido”, disse. As declarações ocorreram durante um encontro do PSD no Rio de Janeiro.
A articulação para aprovar a urgência do projeto tem sido liderada pela bancada do PL e conta com o envolvimento direto do ex-presidente Jair Bolsonaro, que vê na anistia uma chance de ampliar apoio político, embora ela não afete diretamente as ações judiciais das quais é alvo. Na semana passada, o vice-líder do PSD na Câmara, Reinhold Stephanes (PSD-PR), assinou o requerimento de urgência.
O líder do PSD na Câmara, Antonio Brito (PSD-BA), por sua vez, tem mantido cautela e aguarda um posicionamento mais claro do presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), e do líder do Republicanos, Hugo Motta (PB), sobre o assunto. Sem o endosso formal dessas lideranças, o requerimento ainda não conseguiu reunir as assinaturas necessárias.
Kassab ressaltou que a eventual adesão ao regime de urgência não significa apoio automático ao mérito do projeto. “A partir do momento em que PL, PP e Republicanos formalizarem apoio, fica difícil para o PSD ficar contra. Mas isso não quer dizer que votaremos a favor da anistia no mérito”, ponderou.
A proposta de anistia tem gerado desconforto entre parlamentares de diversas siglas, especialmente pela possibilidade de confronto institucional com o Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pelas condenações. Partidos como PP, MDB e Republicanos, além do próprio PSD, demonstram cautela para não criar embates desnecessários com o Judiciário.
Presente ao encontro do PSD no Rio, o prefeito Eduardo Paes foi enfático ao se posicionar contra a proposta. Aliado do presidente Lula (PT), Paes defendeu que a bancada fluminense do partido rejeite qualquer tentativa de anistia. “Não acho que tem que ter anistia. A Justiça deve julgar com seriedade, imparcialidade e tranquilidade. A bancada do Rio não assinará projeto de anistia. Vamos respeitar as decisões da Justiça”, afirmou.
Paes também fez referência à Operação Lava-Jato, destacando que mesmo quando houve suspeitas de motivação política nas investigações, manteve o respeito às decisões judiciais. “Respeitamos o Judiciário até nos momentos em que parecia haver perseguição”, disse.
O evento, realizado em um hotel na Zona Sul da capital fluminense, contou com a participação de vereadores, deputados estaduais e federais do PSD. Organizado pelo deputado Pedro Paulo, presidente do diretório estadual da sigla, o encontro teve como objetivo fortalecer a legenda para as eleições de 2026. Internamente, o PSD considera a possibilidade de Paes disputar o governo do Rio, embora ele ainda negue ter essa intenção.
Foto: Celso Silva/Governo do Estado de SP

