O presidente do PSD, Gilberto Kassab, informou nesta sexta-feira (15) que o partido ficará neutro nas eleições presidenciais deste ano. O dirigente alegou não haver unidade dentro da sigla para apoiar nem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nem o presidente Jair Bolsonaro (PL) e, tampouco, os demais nomes na disputa.
“A constatação é que não temos unidade para caminhar coligados com um candidato de outro partido. Diante das opções existentes, haveria preferências diversas no partido não apenas quando consideramos o Brasil, mas em instâncias partidárias dentro de Estados e, até, de municípios”, escreveu em suas redes sociais.
O PSD, por exemplo, está coligado com o PT em Minas Gerais e com o Republicanos, um dos partidos da base de Bolsonaro, em São Paulo. O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PSD) deverá disputar o governo mineiro tendo como vice o deputado estadual André Quintão (PT). Já para o governo paulista, o partido decidiu apoiar o ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos) e indicou o ex-prefeito Felício Ramuth (PSD) para a vice.
Durante os últimos meses, Kassab negociou com diversos partidos e, tanto apoiadores de Lula, quanto de Bolsonaro, aventaram a possibilidade de o PSD declarar apoio a um dos 2 ainda no 1º turno.
O PT, por sua vez, tenta atrair mais partidos para além da coligação nacional – formada por PT, PSB, PC do B, PV, Rede, Psol e Solidariedade. O partido tem conversado com lideranças do MDB e pretendia atrair o PSD.
Lula esteve em Brasília na 3ª e 4ª feiras (12 e 13.jul), onde se reuniu com diversos partidos. Ficou acertado, por exemplo, que lideranças do MDB de 10 Estados se reunirão com o ex-presidente na próxima 2ª feira (18.jul.2022) para selar o apoio do grupo à sua candidatura presidencial. O movimento ajuda a esvaziar a pré-candidatura da senadora Simone Tebet, nome do MDB, para a disputa à Presidência da República.
O petista também se encontrou com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). O Poder360 apurou que Lula afirmou admirar o trabalho do senador, que retribuiu: disse que não pode declarar voto por sua posição institucional, mas que o apoia.
No comunicado, Kassab disse, no entanto, que, em “momento apropriado” irá compartilhar sua preferência pessoal para as eleições deste ano, “de modo a não interferir na boa governança partidária”.
Kassab também disse que o partido tentou desenvolver uma candidatura própria tendo convidado Pacheco para a missão. O senador, no entanto, desistiu do pleito ainda no início do ano. “Ficou a semente de um excelente projeto para o Brasil, que o PSD não abandonou, apenas adiou”, escreveu.
O dirigente disse que o partido também realizou uma consulta aos seus congressistas federais e estaduais, dirigentes partidários e líderes em todos o país. A posição de Kassab deverá ser apresentada na Convenção Nacional do PSD e deverá ser referendada.

