O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) afirmou hoje que os rumos políticos do Brasil começam a ser definidos agora que o carnaval passou, porém o governo federal não tem votos suficientes para aprovar projetos. Ele deu as declarações durante evento na Associação Comercial de São Paulo.
Lira declarou que o caminho político brasileiro não tem rumo definido e que isto começa a ser traçado a partir desta semana com reuniões entre líderes partidários e deles com a coordenação política do governo federal.
Na visão do presidente da Câmara, pacificar o país é prioridade e a estabilidade ocorre quando há acordos entre partidos de centro.
Ele ainda disse que o eleitorado elegeu um presidente com perfil diferente do Congresso, que seria liberal. “Nós vamos ter um termômetro claro de como as coisas funcionarão dentro do Congresso Nacional.”
O presidente da Câmara também avaliou que a frente ampla da campanha de Lula (PT) e a composição ministerial do petista não surtiram efeitos em votos para base governista no Congresso.
“Nós teremos um tempo para que o governo se estabilize internamente. Porque, hoje, o governo ainda não tem uma base consistente nem na Câmara, nem no Senado, para enfrentar matérias de maioria simples, quanto mais matéria de quórum constitucional”, disse Arthur Lira, presidente da Câmara.
A avaliação de Lira sobre a falta de votos do governo federal contraria a o que ocorreu na corrida presidencial. O presidente Lula foi eleito com uma ampla frente de partidos. A composição ministerial levou em conta contemplar estas siglas e assim garantir uma base de apoio.
Na avaliação de Lira, a estratégia não deu resultado. Mas houve prejuízo de imagem ao Planalto. Escolhido para o Ministério das Comunicações para agradar lideranças do União Brasil, o deputado federal pouco conhecido Juscelino Filho (União-MA) enfrenta uma série de fatos mal explicados.
Por outro lado, o parlamentar usou sua reeleição com votação recorde para a presidência da Câmara dos Deputados, com 464 votos, como um exemplo de que seria possível aprovar reformas.
Ele disse que a coalização que lhe deu a vitória mostrou que o PT (partido de Lula) e o PL (partido do ex-presidente Jair Bolsonaro) podem convergir.
Lira deixou o caminho aberto para entendimentos com o governo federal, mas também se manifestou contrário a posições adotadas por Lula e seu primeiro escalão.
O presidente da Câmara falou que é contra mexer na autonomia do Banco Central e que pretende avançar e não retroceder na reforma trabalhista.
Nós deveremos discutir avanços e não retrocessos com relação a reforma trabalhista, nós deveremos discutir a preservação de um Banco Central independente. Não tenham dúvidas disso! Esse ambiente de debates, de falas que não agregam, só pioram o ambiente da taxa de juros.Arthur Lira, afirmou o presidente da Câmara
O presidente da Câmara ainda falou que é a favor de votar a reforma administrativa.
Nessa linha nós temos uma reforma administrativa que está pronta para o plenário da Câmara dos Deputados e nós temos uma vontade conjunta do governo eleito, através de seu ministro da Economia, através de quem faz a parte econômica do governo, para tentarmos votar a reforma, tão falada, tão difícil, tão angustiante que vai causar tantas discussões que é a reforma tributária. Arthur Lira, presidente da Câmara

