O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou a aprovação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, confirmada nesta sexta-feira pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. A decisão recebeu apoio de ampla maioria dos Estados-membros europeus e foi celebrada por Lula como um marco para as relações internacionais. Em publicação nas redes sociais, o presidente classificou o desfecho como “uma vitória do diálogo”.

“Uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos”, escreveu Lula, ao comentar a conclusão do processo que se arrastava há mais de duas décadas. Para o presidente brasileiro, o acordo representa não apenas ganhos econômicos para os dois lados, mas também uma sinalização política relevante em favor do comércio internacional baseado em regras e consensos.

Lula destacou que o entendimento entre Mercosul e União Europeia sempre esteve entre as prioridades da política externa brasileira. Ele lembrou que atuou diretamente na articulação do acordo e tentou concluí-lo no fim do ano passado, período em que o Brasil exercia a presidência rotativa do bloco sul-americano. Segundo o presidente, o esforço foi guiado pela convicção de que a integração econômica é fundamental para o desenvolvimento sustentável.

O chefe do Executivo também definiu o momento como histórico para o multilateralismo, conceito que defende a cooperação entre diversos países para a construção de interesses comuns. “Dia histórico para o multilateralismo. Após 25 anos de negociação, foi aprovado o Acordo entre Mercosul-União Europeia, um dos maiores tratados de livre-comércio do mundo”, afirmou. Lula ressaltou ainda que os dois blocos, juntos, reúnem 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto de US$ 22,4 trilhões.

O multilateralismo, frequentemente citado pelo presidente, contrapõe-se a práticas unilaterais ou acordos restritos a poucos países. Para Lula, o avanço do tratado reforça a importância do diálogo em um cenário internacional marcado por disputas comerciais e tensões geopolíticas.

Com a aprovação europeia, Ursula von der Leyen poderá viajar ao Paraguai já na próxima semana para formalizar o acerto com os países do Mercosul. O Paraguai ocupa atualmente a presidência rotativa do bloco. Na sequência, os países sul-americanos deverão submeter o texto aos seus parlamentos, embora a entrada em vigor possa ocorrer de forma individual.

Em nota conjunta, o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços celebraram a decisão. “Trata-se do maior acordo comercial negociado pelo Mercosul e um dos maiores firmados pela União Europeia com parceiros externos”, afirmaram as pastas.

Foto: Ricardo Stuckert/PR


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