O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira, durante uma cerimônia no estado do Rio de Janeiro, que a “extrema-direita ganhou a batalha contra o papel do Estado” e convocou seus aliados a defender com mais veemência os princípios que sustentam a atuação governamental. Durante seu discurso, Lula criticou a Operação Lava-Jato, classificando-a como um “caça-níquel contra todos os que defendiam a Petrobras” e alertou que tentativas de privatizar a estatal voltarão a ocorrer “quantas vezes o povo votar errado”.
O pronunciamento ocorreu no terminal da Transpetro, em Angra dos Reis, durante o lançamento de uma licitação para a aquisição de oito novos navios gaseiros, ampliando a frota da subsidiária da Petrobras de seis para 14 embarcações. A visita ao Rio se deu em meio a um contexto de queda na aprovação do governo, conforme apontado por uma pesquisa do Instituto Datafolha divulgada na semana passada. O levantamento mostrou uma queda de 11 pontos percentuais na avaliação positiva do governo, passando de 35% em dezembro para 24% neste mês, a pior avaliação de Lula em seus três mandatos presidenciais.
Diante desse cenário, o presidente reforçou sua defesa do papel do Estado e criticou a narrativa promovida por setores da direita sobre a gestão pública.
“A extrema-direita nesse país ganhou a batalha contra o papel do Estado. Dizem que ele é corrupto, que não presta, que é caro, que tudo que é bom tem que vir da iniciativa privada. E, muitas vezes, nós acreditamos nisso. É preciso que a gente assuma a responsabilidade de defender com mais coragem aquilo em que acreditamos, porque, se não levarmos a sério, vão querer privatizar de novo”, afirmou Lula.
O discurso também serviu como uma resposta às críticas feitas pela oposição no Congresso Nacional, especialmente pelos setores bolsonaristas. Com o crescimento da rejeição ao governo nas pesquisas de opinião, a gestão Lula tem sido alvo de uma intensa campanha de desgate nas redes sociais. No levantamento do Datafolha, 41% dos entrevistados consideraram o governo ruim ou péssimo, enquanto 32% o avaliaram como regular.
A atual avaliação negativa é inferior à registrada por Lula em 2005, durante o auge do escândalo do Mensalão, quando sua gestão era considerada ótima ou boa por 28% dos entrevistados. O atual índice também contrasta com o fim de seu segundo mandato, em 2010, quando deixou a Presidência com uma aprovação histórica de 83%.
Diante do novo cenário, Lula evitou dar sinais claros sobre uma eventual candidatura à reeleição em 2026. Na última sexta-feira, em entrevista a uma rádio do Pará, ele mencionou ter 79 anos e condicionou uma eventual nova disputa eleitoral às suas condições de saúde e energia.
A queda na popularidade do governo ocorre em meio a polêmicas recentes, como a crise envolvendo a Receita Federal e as novas regras de monitoramento do Pix, anunciadas no final de 2023. Após uma onda de críticas, a norma foi revogada, mas a gestão ainda enfrenta resistência. Uma pesquisa da Quaest divulgada em janeiro apontou que 66% dos entrevistados consideraram equivocada a condução do governo na crise do Pix. Além disso, a inflação de alimentos tem impactado a percepção popular sobre a economia, com 83% dos entrevistados afirmando que os preços subiram no último mês.
Durante a cerimônia em Angra dos Reis, o evento tomou contornos de ato de apoio à reeleição de Lula. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, declarou em seu discurso que “Lula 4, se Deus quiser, vai ser ainda melhor” do que o terceiro mandato atual. Silveira também defendeu uma atuação mais enfática dos aliados do governo na comunicação digital.
“Precisamos usar as redes sociais e os instrumentos que temos para defender as políticas sociais do governo. Só precisamos mostrar o que estamos fazendo. O povo brasileiro vai perceber rapidamente. E, se Deus quiser, o presidente Lula vai continuar dirigindo o Brasil por muitos anos”, afirmou o ministro.
Outra declaração de apoio veio do coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, que celebrou os investimentos na indústria naval, afirmando que foi por essa razão que o setor apoiou a candidatura petista.
Diante das dificuldades enfrentadas pelo governo, o evento no Rio de Janeiro foi mais do que um lançamento de novas embarcações: tornou-se um palanque para reafirmar a importância do papel do Estado na economia e um chamado para que a base governista se mobilize mais ativamente diante das críticas e do avanço da oposição nas redes sociais.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

