O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, nesta sexta-feira, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, por não ter apresentado projetos de obras de prevenção a desastres climáticos, apesar de o estado contar com recursos da ordem de R$ 3,5 bilhões previstos no Programa de Aceleração do Crescimento. Ao discursar no encerramento da sexta Conferência Nacional das Cidades, em Brasília, Lula afirmou que as tragédias provocadas por enchentes refletem um descaso histórico com a população mais pobre.

Segundo o presidente, gestores públicos sabem previamente quando determinadas áreas não devem ser ocupadas, mas muitas vezes faltam planejamento e investimentos em prevenção. Ele reforçou a necessidade de aplicação contínua de recursos em obras estruturais para reduzir riscos socioambientais.

O ministro das Cidades, Jader Filho, apoiou a crítica e afirmou que os recursos poderiam ter sido direcionados para intervenções como contenção de encostas e obras de macrodrenagem. Neste sábado, Lula visitará Juiz de Fora e Ubá, cidades fortemente atingidas pelo temporal que já causou ao menos sessenta e quatro mortes.

Jader também criticou o governo anterior, do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que apenas R$ 6 milhões foram destinados à prevenção de desastres. Segundo ele, a atual gestão aplicou mais de R$ 32 bilhões em ações preventivas, sendo R$ 6,5 bilhões apenas no Rio Grande do Sul. “A ciência mostra que precisamos tornar as cidades mais resilientes e preparadas para eventos extremos”, declarou.

Relatório do Cemaden aponta que eventos climáticos extremos impactaram diretamente 336.656 pessoas e geraram prejuízos de R$ 3,9 bilhões. Como resposta emergencial, a Defesa Civil Nacional autorizou repasse de R$ 6,19 milhões para sete municípios de Minas Gerais, Piauí e Rio Grande do Sul.

Durante o evento, Lula também voltou a defender políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres, sugerindo ações educativas desde a infância. A Conferência Nacional das Cidades não era realizada há 13 anos e debateu a construção de uma política nacional voltada a cidades mais inclusivas, sustentáveis e socialmente justas.

Foto: Ricardo Stuckert / PR


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