O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a América Latina avance em projetos estruturantes comuns para consolidar autonomia política e desenvolvimento social, com foco especial no fortalecimento da educação regional como instrumento estratégico de soberania. A declaração foi feita neste sábado, durante encontro com estudantes da Rede Nacional de Cursinhos Populares (COPO), em São Bernardo do Campo (SP), onde o presidente afirmou que nenhum país se desenvolve plenamente sem planejamento educacional robusto e cooperação internacional voltada à formação humana. Segundo Lula, políticas compartilhadas na área educacional podem impedir pressões externas e consolidar independência diplomática no continente. Ele ressaltou que o governo brasileiro tem promovido ampliação das parcerias com países africanos, lusófonos e latino-americanos, reforçando que a integração continental passa também pela circulação de estudantes, professores e conhecimento científico. O presidente mencionou a criação da Universidade da América Latina em Foz do Iguaçu como um marco simbólico e institucional desse esforço, enfatizando que a unidade acadêmica permitirá formação comum e identidade regional fortalecida.
Lula declarou que a integração educacional deve caminhar ao lado da afirmação soberana do continente diante de potenciais ameaças externas. Em suas palavras, “queremos formar uma doutrina latino-americana, com professores e estudantes latino-americanos, para que um dia nosso continente seja plenamente independente”, acrescentando que “nunca mais um presidente de outro país ouse falar grosso com o Brasil, porque não vamos aceitar”.
A fala ocorre no contexto de tensões renovadas entre os Estados Unidos e a Venezuela, após Washington anunciar operações militares alegadamente focadas no combate ao tráfico de drogas. Segundo relatos divulgados por veículos de imprensa internacionais, embarcações venezuelanas teriam sido alvejadas, resultando em mortes, o que levou Caracas a denunciar uma suposta tentativa de “mudança de regime”.
Organizações sociais latino-americanas manifestaram preocupação com a escalada da intervenção, classificando o episódio como risco à segurança continental. No Brasil, a Central Única dos Trabalhadores aprovou moção de repúdio ao posicionamento norte-americano, ao defender que tais ações “colocam em xeque a paz e a autodeterminação dos povos do continente”. Em Trinidad e Tobago, a mobilização civil também ganhou força após a morte de pescadores locais em incidentes envolvendo forças dos Estados Unidos, intensificando o debate sobre limites da atuação militar externa no Caribe.
Foto: Ricardo Stuckert/PR

