Em um evento com ministros das Relações Exteriores do G20, realizado em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou a responsabilidade das nações do grupo no enfrentamento das crises globais, como a fome e as mudanças climáticas. Lula enfatizou que o G20, responsável por 80% das emissões globais de gases de efeito estufa, deve liderar esforços para conter o aquecimento global e promover uma governança internacional mais justa.
Durante seu discurso, o presidente brasileiro frisou que a reforma da governança global é urgente e essencial para enfrentar os desafios do século 21. Ele destacou que, embora cada país tenha sua própria visão sobre o modelo ideal de governança, é consenso que a reforma é fundamental. A presidência do G20 estará nas mãos do Brasil em 2024, e o país sediará a cúpula do grupo em novembro, no Rio de Janeiro.
Lula apontou três eixos principais para a atuação do G20 sob a liderança brasileira: inclusão social, combate às mudanças climáticas e reforma da governança global. Sobre a inclusão social, ele ressaltou o combate à fome como uma prioridade. Ele mencionou a criação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, uma iniciativa que mobilizará recursos técnicos e financeiros para enfrentar esses problemas de forma eficaz.
Em relação às mudanças climáticas, Lula defendeu a participação de setores como bancos centrais e bancos públicos de desenvolvimento nas discussões, para garantir uma transição justa. Ele também comemorou a aprovação do primeiro documento multilateral sobre bioeconomia, liderado pelo Brasil.
O terceiro eixo destacado por Lula foi a reforma da governança global, com foco em aumentar a representatividade do Sul Global nos principais foros de decisão. Ele sugeriu a possibilidade de convocar uma Conferência de Revisão da Carta da ONU, enfatizando que as instituições multilaterais precisam ser reformadas para enfrentar os desafios atuais. Para Lula, a comunidade internacional não pode mais se basear em arranjos excludentes e unilaterais.
Lula também criticou a arquitetura financeira internacional, afirmando que ela impõe condições desiguais aos países em desenvolvimento. Ele destacou que as taxas de juros impostas a essas nações são muito mais altas que as aplicadas aos países desenvolvidos, o que prejudica o investimento em infraestrutura e sustentabilidade. Para combater essa desigualdade, Lula defendeu a taxação dos super-ricos, como uma forma de direcionar recursos para o desenvolvimento e para a ação climática.
O presidente brasileiro conclamou os membros do G20 a agirem, enfatizando que “criticar sem agir é um exercício estéril”. Ele afirmou que o multilateralismo precisa ser renovado para que as crises globais possam ser enfrentadas de maneira eficaz, e garantiu que o Brasil estará comprometido em promover um “Mundo Justo e um Planeta Sustentável”, como destaca o lema da presidência brasileira do G20.

