Integrantes das campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro passaram a avaliar que a rejeição, pela Polícia Federal, da proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro pode reduzir parte da tensão política provocada pelo escândalo envolvendo o Banco Master. Apesar disso, aliados dos dois grupos acreditam que o caso continuará produzindo efeitos sobre a disputa presidencial e deverá permanecer presente no ambiente eleitoral até as eleições de 2026.
Nos bastidores do Palácio do Planalto, auxiliares de Lula avaliam que o fracasso das negociações entre Vorcaro e a Polícia Federal diminui o potencial imediato de desgaste político causado por eventuais revelações do empresário. Ainda assim, interlocutores do governo acreditam que o episódio continuará influenciando o cenário político e poderá alimentar novas investigações, disputas judiciais e embates entre grupos partidários ao longo da campanha eleitoral.
Existe também expectativa dentro do governo de que a Procuradoria-Geral da República acompanhe o entendimento da Polícia Federal e rejeite eventual acordo de colaboração apresentado pelo ex-banqueiro. Mesmo com essa possibilidade, integrantes da campanha petista afirmam que ainda existe receio sobre possíveis tentativas de Vorcaro de envolver integrantes do PT ou aliados do governo federal nas investigações relacionadas ao Banco Master.
A avaliação predominante entre aliados de Lula é que, diante da situação jurídica enfrentada pelo ex-controlador do banco, ele poderia tentar ampliar o alcance político do caso envolvendo diferentes atores partidários e institucionais. Por isso, mesmo sem acordo homologado, o governo mantém preocupação com desdobramentos futuros das investigações e com eventual impacto na imagem do presidente durante o processo eleitoral.
Do lado do senador Flávio Bolsonaro, interlocutores do PL afirmam que o encerramento das negociações entre Vorcaro e a Polícia Federal ajuda a reduzir o clima de apreensão instalado desde a divulgação de informações sobre a relação entre o parlamentar e o ex-banqueiro. Segundo integrantes da campanha, o principal temor não estava necessariamente em citações diretas ao senador, mas na possibilidade de o caso permanecer indefinidamente no centro do noticiário político nacional.
Nos bastidores da campanha bolsonarista, dirigentes acreditam que a rejeição da proposta de delação diminui o risco de novos capítulos imediatos envolvendo documentos, gravações, mensagens ou relatos que pudessem ampliar a crise política. Ainda assim, setores do partido reconhecem que o desgaste provocado pelo caso já gerou impactos internos importantes e estimulou discussões sobre alternativas eleitorais dentro do campo da direita.
Nas últimas semanas, lideranças do PL passaram a discutir reservadamente o futuro da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro diante da repercussão do escândalo. Cresceram conversas sobre possíveis alternativas políticas, incluindo nomes como Michelle Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Paralelamente, setores do mercado financeiro, integrantes do Centrão e lideranças evangélicas passaram a demonstrar cautela em relação ao senador.
Publicamente, contudo, dirigentes do partido minimizam os efeitos políticos do episódio. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, afirmou que não existe qualquer sentimento de alívio com a rejeição da delação e defendeu que Daniel Vorcaro apresente todas as informações que possuir às autoridades responsáveis pelas investigações.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

