A seis meses da eleição presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro ampliam a articulação política nos estados, em um cenário marcado pela busca por palanques competitivos e alianças amplas. Ambos atuam para consolidar apoios, conter disputas internas e evitar candidaturas próprias que possam fragmentar suas bases eleitorais.
No campo governista, o Partido dos Trabalhadores tem adotado uma estratégia pragmática, reduzindo o número de candidaturas próprias aos governos estaduais. A legenda caminha para lançar nomes em cerca de dez estados, número inferior ao registrado em eleições anteriores. Em contrapartida, o partido amplia alianças com siglas como PSB, PDT, MDB, PSD, PP e União Brasil, mesmo quando essas legendas não integram formalmente o palanque presidencial.
Essa estratégia tem gerado tensões internas. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a direção nacional do PT interveio para garantir apoio à pré-candidatura de Juliana Brizola, contrariando setores locais que defendiam candidatura própria. A decisão foi aceita pelo diretório estadual, mas deixou insatisfações entre lideranças regionais.
A articulação com o PDT também envolve estados como Paraná e Minas Gerais. No território mineiro, a negociação é considerada mais complexa, diante da possibilidade de candidatura do senador Rodrigo Pacheco, filiado ao PSB, enquanto o PDT defende o nome de Alexandre Kalil. O impasse evidencia a dificuldade de conciliar interesses locais com a estratégia nacional.
O PSD desponta como aliado relevante, mesmo com a confirmação da candidatura presidencial do governador Ronaldo Caiado. Em estados como Rio de Janeiro, Mato Grosso e Amazonas, o PT deve apoiar candidatos da legenda. Há ainda possibilidade de alinhamento em Sergipe, onde o governador Fábio Mitidieri apoia a reeleição de Lula.
No Nordeste, o PT trabalha para ampliar sua presença com múltiplos palanques. Na Paraíba, além do apoio à reeleição de Lucas Ribeiro, o partido busca atrair Cícero Lucena para a base presidencial. Em Pernambuco, mesmo apoiando João Campos, há esforços para incluir a governadora Raquel Lyra no palanque.
Já o Partido Liberal enfrenta maior grau de indefinição. A legenda pretende lançar candidaturas próprias ao governo ou ao Senado em todos os estados e no Distrito Federal, mas ainda busca consolidar alianças regionais. Atualmente, há pré-candidatos ao governo em cerca de doze estados, incluindo importantes colégios eleitorais.
O partido tenta ampliar presença no Nordeste, com a filiação de lideranças como Álvaro Dias e Efraim Filho. Também há negociações com partidos da federação entre União Brasil e PP, visando ampliar o arco de alianças de Flávio Bolsonaro.
Na Bahia, o PL firmou acordo com ACM Neto, embora haja divergências internas. No Ceará, negociações com Ciro Gomes foram interrompidas, em meio a resistências dentro do próprio campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Minas Gerais permanece como um dos principais focos de indefinição para o PL, com disputas entre diferentes nomes. Situação semelhante ocorre em estados como Pernambuco, Maranhão e Espírito Santo. No Norte, a tendência é de múltiplos palanques ligados à direita, refletindo disputas internas pelo eleitorado conservador.
Apesar da polarização nacional, o confronto direto entre PT e PL tende a ocorrer em poucos estados. Até o momento, disputas diretas estão configuradas apenas em Rio Grande do Norte, Rondônia e Piauí. O cenário indica uma eleição marcada menos por embates diretos regionais e mais por estratégias amplas de coalizão.
Fotos: Ricardo Stuckert / PR

