Verônica Abdalla Sterman, advogada paulista de 41 anos, tomou posse nesta terça-feira como ministra do Superior Tribunal Militar (STM). Ela se torna a segunda mulher a ocupar uma cadeira na história de 207 anos da Corte. Indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que esteve presente na cerimônia, Sterman destacou em seu discurso a importância simbólica e transformadora de sua chegada ao tribunal.

“Que este marco não seja apenas um símbolo isolado, mas um passo para que nosso Judiciário no futuro não precise mais de datas, gestos ou estatísticas para lembrar que mulheres estão presentes em igualdade. Que nossas filhas e netas encontrem um Judiciário em que a igualdade seja pressuposto, não conquista. Que a presença feminina em nossas cortes seja natural, cotidiana e corriqueira, como deve ser em uma democracia madura”, afirmou a nova ministra.

Antes da nomeação, Sterman atuava como advogada e representou figuras de destaque no cenário político, como a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, seu ex-marido e ex-ministro das Comunicações Paulo Bernardo, além do atual vice-presidente Geraldo Alckmin. Todos prestigiaram sua posse no STM. Em sua fala, ela agradeceu o apoio de antigos clientes e ressaltou a visão que leva ao tribunal. “Não venho para substituir uma visão, mas para acrescentar outra, fruto de quem esteve do lado oposto do balcão, acompanhando as dores reais de quem busca no Judiciário não apenas sentenças, mas esperança”, declarou.

Com sua nomeação, Sterman passa a integrar o grupo de civis da Corte, composto por cinco ministros. O STM possui 15 integrantes, sendo dez oriundos das Forças Armadas. Ela dividirá espaço com a atual presidente do tribunal, Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha, primeira mulher a se tornar magistrada do STM, indicada por Lula em 2007.

Durante a cerimônia, a presidente do STM elogiou a chegada da nova ministra e ressaltou o papel feminino no fortalecimento das instituições. “A presença feminina nos espaços de poder reforça a legitimidade estatal e humaniza as instituições. Ao recebê-la como a segunda mulher nomeada, o STM escreve mais um capítulo em sua história bicentenária”, afirmou Maria Elizabeth.

Também presente, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, acompanhou o ato. Outro ministro civil, Artur Vidigal de Oliveira, ressaltou as qualidades da nova integrante. “Ela possui as condições necessárias para o cargo, e sua chegada demonstra a capacidade do STM de se renovar”, destacou.

A indicação de Verônica não ocorreu sem controvérsias. Durante a tramitação no Senado, parlamentares da oposição levantaram críticas ao seu currículo, alegando que ela teria se apresentado como mestre pela Universidade de São Paulo sem ter concluído a dissertação exigida para o título. A ministra negou irregularidades, afirmando ter deixado claro que não apresentou o trabalho final. Apesar das contestações, seu nome foi aprovado pelo plenário com 51 votos favoráveis e 16 contrários.

Foto: Ricardo Stuckert / PR

 

 


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