O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira que a imposição de medidas cautelares ao ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, é uma questão exclusiva da Justiça e que não pretende se envolver ou opinar sobre o assunto. “É um problema da Justiça. Eu não vou dar palpite sobre a questão da Justiça. Ele está sendo julgado, está sendo denunciado, ele pode ser absolvido, ele pode ser culpado. É um problema da Justiça. Eu não me meto nisso”, declarou Lula em entrevista a jornalistas em Santiago, no Chile, antes de retornar a Brasília.

Na última sexta-feira, Bolsonaro foi alvo de operação da Polícia Federal por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão incluiu o uso de tornozeleira eletrônica e uma série de restrições, como a proibição de se comunicar com embaixadores, diplomatas estrangeiros e o próprio filho, Eduardo Bolsonaro. Além disso, o ex-presidente está impedido de frequentar embaixadas e de usar redes sociais.

Eduardo Bolsonaro, que atualmente reside nos Estados Unidos, é investigado por articular, junto ao governo de Donald Trump, ações contra ministros do STF e em favor da anistia dos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

Foi a primeira vez que Lula se manifestou publicamente sobre o caso. A orientação do Palácio do Planalto é para que o presidente e seus ministros não comentem ações judiciais envolvendo Bolsonaro. “Não cabe ao governo se posicionar sobre a operação”, afirmam auxiliares próximos.

Lula esteve no Chile para participar da segunda edição do encontro internacional em defesa da democracia e contra os extremismos. Além dele, participaram o presidente chileno Gabriel Boric, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi.

Foto: Ricardo Stuckert/PR


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