O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta terça-feira (25), a primeira grande reforma ministerial de seu terceiro mandato, iniciando pelo Ministério da Saúde. Nísia Trindade foi demitida e substituída por Alexandre Padilha (PT), que deixa a Secretaria de Relações Institucionais para assumir a pasta da Saúde, responsável por um orçamento de R$ 239,7 bilhões. A mudança busca fortalecer a articulação política do governo e garantir maior eficiência na execução dos programas da área.

A decisão de Lula ocorre em meio à queda de popularidade do governo e faz parte de uma estratégia para reorganizar a administração federal na segunda metade do mandato. O objetivo é evitar desgastes políticos e preparar terreno para a reeleição em 2026. A substituição de Nísia Trindade já era esperada e foi antecipada pelo Novojornal no dia 20 de fevereiro. Sua saída ocorre após cobranças sobre a implementação do programa Mais Acesso a Especialistas, lançado em abril do ano passado, mas que ainda não chegou a todas as regiões do país. Além disso, o nome do programa será reformulado para ampliar sua aceitação popular.

Com a saída de Padilha da articulação política do governo, abre-se espaço para uma nova nomeação na Secretaria de Relações Institucionais. O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), surge como o nome mais cotado para assumir o cargo, que tem como desafio lidar com a difícil relação entre o Planalto e o Congresso, especialmente no que diz respeito ao impasse das emendas parlamentares. Guimarães foi chamado para uma reunião com Lula na noite desta terça-feira.

Nesta manhã, Nísia Trindade participou de sua última cerimônia oficial no Palácio do Planalto. Durante o evento, ela assinou portarias sobre a produção de vacinas contra dengue, influenza H5N8 e vírus sincicial respiratório (VSR), além da ampliação do fornecimento de insulina pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em seu discurso, de tom emocionado, agradeceu a equipe e foi aplaudida pelo público presente. O evento, porém, foi marcado por um clima de constrangimento, com Lula visivelmente impaciente.

Após a solenidade, o presidente chamou Nísia para uma conversa reservada, na qual informou sua decisão. Posteriormente, Lula se reuniu com Alexandre Padilha para definir a transição no comando do ministério. Médico infectologista, Padilha já ocupou o cargo de ministro da Saúde entre 2011 e 2014, no governo de Dilma Rousseff, e atualmente está licenciado de seu mandato como deputado federal.

Padilha se comprometeu a permanecer no cargo até o fim do governo, descartando qualquer intenção de deixar o ministério em março de 2026 para disputar nova eleição à Câmara dos Deputados. No ano passado, ele teve embates públicos com o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que chegou a criticá-lo duramente.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

 


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