O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou nesta sexta-feira (21) em Joanesburgo, na África do Sul, para participar da Cúpula de Líderes do G20, que reúne as maiores economias do mundo. Em mensagem publicada nas redes, ele afirmou que “o G20 traz em 2025 o lema Solidariedade, Igualdade e Sustentabilidade, temas de fundamental importância para o Brasil e para o Sul Global”, destacando o papel central que o país exercerá no próximo ano. Como presidente do grupo em 2024, o Brasil também tem função relevante nesta edição da cúpula, integrando a chamada “troika” ao lado da África do Sul — atual líder — e dos Estados Unidos, que assumirão o comando do fórum na sequência. A troika é o mecanismo que garante continuidade e coordenação entre as três presidências.

A presidência sul-africana elencou quatro prioridades para guiar as discussões: fortalecimento da resposta global a desastres; sustentabilidade da dívida pública de países de baixa renda; financiamento da transição energética justa; e minerais críticos como motores de desenvolvimento. Criado em 1999, o G20 se consolidou como o principal espaço de cooperação econômica internacional. Nesta cúpula, as discussões serão divididas em três sessões temáticas e terminarão com uma declaração de líderes. O texto abordará, entre outros pontos, princípios para a exploração e beneficiamento de minerais estratégicos e terras raras. Também serão apresentados a declaração dos ministros de Finanças sobre sustentabilidade da dívida e um relatório propondo ajustes no funcionamento do próprio G20. A África do Sul encerra, com esta reunião, o primeiro ciclo completo de presidências rotativas do bloco. Uma das práticas mantidas foi a de encontros inclusivos paralelos à Assembleia Geral da ONU, permitindo que países fora do G20 contribuam com suas demandas.

Neste sábado (22), os chefes de Estado discutirão crescimento econômico sustentável, financiamento ao desenvolvimento, comércio e endividamento global. Na parte da tarde, estarão em pauta clima, segurança alimentar, desastres e transição energética. No domingo (23), o foco será minerais críticos, trabalho decente e inteligência artificial. À margem das sessões, Lula deve realizar reuniões bilaterais com outros líderes e participar de encontro do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (Ibas), criado em 2003 para fortalecer a cooperação entre países do Sul Global.

Após a cúpula, Lula seguirá para Maputo, capital de Moçambique, para uma visita de trabalho na segunda-feira (24), celebrando os cinquenta anos de relações diplomáticas entre os dois países. Moçambique é hoje o maior beneficiário da cooperação brasileira executada pela Agência Brasileira de Cooperação, com projetos em saúde, agricultura, educação e capacitação profissional. Durante a visita, Lula e o presidente moçambicano, Daniel Chapo, devem revisar iniciativas em andamento e discutir ampliação de comércio e investimentos. Um fórum empresarial reunirá entre cento e cinquenta e duzentos empresários brasileiros e moçambicanos, com debates sobre agronegócio, indústria, inovação e saúde. Está prevista ainda a assinatura de acordo entre academias diplomáticas, além de outros termos técnicos em negociação. Lula também participará do encerramento do fórum empresarial e receberá o título de doutor honoris causa da Universidade Pedagógica de Maputo. O retorno ao Brasil está previsto para a noite de segunda-feira.

Foto: Ricardo Stuckert / PR


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