O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, neste sábado, de um encontro internacional em Barcelona, na Espanha, onde defendeu a necessidade de maior coerência entre discurso e prática dos governos progressistas. A fala ocorreu durante a primeira edição da Mobilização Progressista Global, evento que reuniu milhares de participantes e lideranças políticas de diferentes países.
Diante de uma plateia superior a cinco mil pessoas, Lula afirmou que não há motivo para constrangimento em se declarar progressista ou de esquerda no cenário atual. Segundo ele, é fundamental que as forças democráticas assumam suas posições com clareza, respeitando as regras institucionais e fortalecendo o debate público.
O presidente destacou avanços históricos promovidos por governos progressistas em áreas como direitos trabalhistas, igualdade de gênero e inclusão social. No entanto, reconheceu que parte dessas forças políticas falhou ao não conseguir enfrentar de forma consistente o modelo econômico predominante.
Para Lula, o chamado projeto neoliberal não cumpriu suas promessas de prosperidade e contribuiu para o aumento da desigualdade social em diversas regiões do mundo. Ele avaliou que, em muitos casos, governos eleitos com propostas voltadas à justiça social acabaram adotando políticas de austeridade, o que gerou frustração entre eleitores.
Durante o discurso, o presidente reforçou que a coerência deve ser um princípio central para lideranças progressistas. Segundo ele, a população espera melhorias concretas em áreas como saúde, educação, moradia e trabalho, independentemente de se identificar ou não com rótulos ideológicos.
Lula afirmou ainda que o avanço da extrema-direita está diretamente relacionado ao descontentamento social acumulado ao longo dos anos. Na avaliação do presidente, esse campo político conseguiu explorar frustrações por meio da disseminação de discursos baseados em desinformação e ataques a grupos vulneráveis.
O encontro também contou com a participação de lideranças internacionais que discutiram desafios comuns enfrentados por democracias contemporâneas. Entre os temas abordados estavam desigualdade social, mudanças climáticas e o papel das instituições multilaterais.
Mais cedo, Lula participou da reunião do Fórum Democracia Sempre, iniciativa que reúne países como Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai. O evento foi organizado pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e contou com a presença de autoridades de diferentes continentes.
Em sua fala, o presidente brasileiro criticou a concentração de riqueza global e afirmou que uma pequena parcela da população detém a maior parte dos recursos econômicos. Segundo ele, essa desigualdade é resultado de escolhas políticas e precisa ser enfrentada com políticas públicas mais inclusivas.
Lula também fez críticas ao volume de recursos destinados a conflitos armados, defendendo que esses valores poderiam ser direcionados para combater a fome e ampliar o acesso à saúde. Ele voltou a cobrar maior protagonismo da Organização das Nações Unidas na mediação de crises internacionais.
Ao tratar da política internacional, o presidente destacou a importância do multilateralismo e defendeu reformas nas instituições globais. Segundo ele, países do chamado Sul Global enfrentam impactos de conflitos e crises climáticas que não provocaram, o que exige maior equilíbrio nas relações internacionais.
Em outro momento, Lula afirmou que ameaças à democracia são concretas e não devem ser subestimadas. Ele citou episódios recentes no Brasil como exemplo de tentativas de ruptura institucional e alertou para a necessidade de vigilância constante.
O presidente ressaltou que a democracia precisa produzir resultados concretos na vida das pessoas para manter sua legitimidade. Para ele, questões como acesso à alimentação, saúde e transporte público estão diretamente ligadas à percepção de qualidade democrática.
Ao encerrar o discurso, Lula defendeu a substituição do ambiente de polarização e conflito por um cenário baseado em esperança e inclusão social. Ele afirmou que cabe às lideranças políticas reconstruir a confiança da população por meio de ações que melhorem efetivamente as condições de vida.
Após os compromissos na Espanha, o presidente segue para a Alemanha, onde participará de evento internacional voltado à inovação industrial. A agenda inclui ainda visita a Portugal, encerrando a viagem oficial pela Europa.
Foto: Ricardo Stuckert/PR

