O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou-se nesta quarta-feira, após a megaoperação contra o Comando Vermelho que resultou em pelo menos 121 mortos no Rio de Janeiro, afirmando que “não podemos aceitar que o crime organizado continue destruindo famílias”. Em sua primeira declaração pública sobre o episódio, Lula defendeu a necessidade de um “trabalho coordenado” que ataque a “espinha dorsal do tráfico” e evite colocar cidadãos inocentes em risco.

O presidente usou suas redes sociais para traçar uma linha entre o combate ao crime e a proteção da população civil. “Não podemos aceitar que o crime organizado continue destruindo famílias, oprimindo moradores e espalhando drogas e violência pelas cidades”, escreveu. Ele acrescentou: “Precisamos de um trabalho coordenado que atinja a espinha dorsal do tráfico sem colocar policiais, crianças e famílias inocentes em risco”, sinalizando que a letalidade extrema é inaceitável.

Lula ressaltou a importância da integração entre o governo federal e os estados no enfrentamento às organizações criminosas. Citou como exemplo a Operação Carbono Oculto, voltada à infiltração do PCC no setor de combustíveis, fruto da parceria entre a Polícia Federal e as polícias de São Paulo. “Foi exatamente o que fizemos em agosto na maior operação contra o crime organizado da história do país, que chegou ao coração financeiro de uma grande quadrilha envolvida em venda de drogas, adulteração de combustível e lavagem de dinheiro”, afirmou. Ele também destacou a PEC da Segurança, que tramita no Congresso, para garantir a atuação conjunta das forças policiais.

Em busca de coordenação, o governador Cláudio Castro (PL) e o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, anunciaram no Palácio Guanabara a criação do Escritório de Combate ao Crime Organizado, que será comandado por Victor Cesar Santos e Mário Luiz Sarrubbo. O grupo pretende “eliminar barreiras” entre os governos e ampliar o uso da Força Nacional, da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Federal no estado, com foco em sufocar financeiramente as facções.

O anúncio ocorreu em meio a uma disputa política. A ministra Gleisi Hoffmann afirmou que o aviso feito pela inteligência da Polícia Militar do Rio à Superintendência da PF sobre a operação nos complexos do Alemão e da Penha “não foi um pedido formal de ajuda”. “A PF foi informada quando a operação já estava planejada e prestes a ocorrer. Não achou razoável participar”, disse. “Não houve pedido de GLO nem solicitação oficial ao governo federal”, completou.

O diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues, confirmou o contato informal. “Houve um contato anterior, do pessoal da inteligência da Polícia Militar com a nossa unidade do Rio, para ver se haveria possibilidade de atuação”, afirmou. “Nossa equipe entendeu que não era uma operação razoável para participar”, explicou, apontando questões de planejamento e competência legal. Segundo ele, a PF não sabia quando a ação seria deflagrada, reforçando a falta de comunicação institucional adequada.

A disputa política se intensificou após o governador Cláudio Castro afirmar, na terça-feira, que o governo federal não colaborou com a operação. Ele reclamou da negativa de três pedidos de blindados às Forças Armadas. O governo federal rebateu, explicando que o empréstimo de equipamentos só é possível em caso de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e lembrou que a Força Nacional atua no estado desde 2023.

Lewandowski reforçou que a comunicação sobre operações de grande porte deve respeitar a hierarquia. “A comunicação entre governantes tem que se dar dentro de uma hierarquia mais elevada. Uma operação desse porte não pode ser acordada por segundo ou terceiro escalão”, declarou. E concluiu: “Se fosse uma operação que exigisse interferência do governo federal, o presidente da República, o ministro da Justiça ou o diretor-geral da PF deveriam ter sido avisados. O que houve foi apenas uma comunicação local e pontual”.

Foto: Ricardo Stuckert / PR


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