Após meses de indefinição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve avançar nos próximos dias com a reforma ministerial, iniciando pela troca no comando do Ministério das Mulheres. Segundo aliados, o nome escolhido é Márcia Lopes, ex-ministra do Desenvolvimento Social. A expectativa era que a mudança ocorresse antes do feriado de 1º de Maio, mas Lula adiou novamente o anúncio.

A saída de Cida Gonçalves, também filiada ao PT, é tratada como certa desde o início do ano, apesar de sua proximidade com a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja. No Palácio do Planalto, há insatisfação com a gestão da ministra. A Comissão de Ética da Presidência arquivou acusações contra Cida de negociar a exoneração de uma ex-secretária em troca de apoio político e também uma denúncia de racismo.

Um áudio divulgado pelo jornal “O Estado de São Paulo” causou novo constrangimento. Na gravação, Cida Gonçalves afirma que interrompe compromissos para atender imediatamente à primeira-dama Janja, e que apenas o presidente Lula e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, recebem o mesmo tratamento. Ela também menciona que consegue “enrolar” os ministros Márcio Macêdo (Secretaria-Geral) e Alexandre Padilha (então na Secretaria de Relações Institucionais). Pessoas próximas à ministra afirmam que a substituição é uma decisão exclusiva do presidente.

Márcia Lopes, indicada para assumir a pasta, é assistente social e irmã de Gilberto Carvalho, ex-chefe de gabinete de Lula. Durante o segundo mandato do presidente, foi secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Social e, em 2010, comandou a pasta por nove meses. Em 2012, concorreu à prefeitura de Londrina, ficando em terceiro lugar.

Além do Ministério das Mulheres, Lula poderá alterar também a chefia da Secretaria-Geral da Presidência, atualmente sob comando de Márcio Macêdo. Deputados do PSD, insatisfeitos com o Ministério da Pesca, pleiteiam um cargo de maior relevância.

Desde o início do ano, Lula já promoveu mudanças na Secretaria de Comunicação Social (Secom), com Sidônio Palmeira na Saúde com Alexandre Padilha e na Secretaria de Relações Institucionais (SRI), com Gleisi Hoffmann.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

 


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