Em visita a Minas Gerais nesta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou a pressão sobre o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), para que defina logo sua posição sobre disputar o governo estadual em 2026. Durante entrevista à Rádio Itatiaia, em Belo Horizonte, Lula declarou que o prazo para a decisão de Pacheco “está acabando”.

Segundo o presidente, a demora pode prejudicar a articulação eleitoral no estado. “Eu acho que o tempo do Pacheco está terminando porque o povo já começa a pensar no que vai acontecer no país. Obviamente, eu não quero forçar um advogado da qualidade dele, com a experiência política que ele tem, para ser candidato. Acho ele hoje a figura mais importante do estado de Minas”, disse Lula.

Após a entrevista, Lula seguiu para Contagem, na Região Metropolitana, acompanhado de Pacheco. O encontro ocorreu em cerimônia de entrega de obras do Novo PAC, ao lado da prefeita Marília Campos (PT), apontada como possível vice em uma chapa liderada por Pacheco. O presidente fez questão de valorizar a trajetória da petista. “Eu vejo a Marília com possibilidade para ser qualquer coisa que ela quiser. Se ela quisesse ser vice, se topasse, acho que seria uma chapa imbatível. Nós iríamos ganhar o estado de Minas Gerais.”

No palco, diante de apoiadores e aliados, Pacheco retribuiu os gestos de Lula. Em seu discurso, fez críticas indiretas ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e defendeu a atuação do governo federal contra medidas impostas pelo exterior. “Brasileiro que ousa ir para o exterior para trabalhar contra o país é traidor da pátria. Isso precisa ser dito com todas as letras. Essa bandeira do Brasil que está ali, no boné daquela senhora, não é para enxugar suor de fascista”, afirmou o senador, sendo aplaudido.

Durante o mesmo evento, Pacheco também respondeu a recentes declarações do governador Romeu Zema (Novo) sobre a população em situação de rua. O chefe do Executivo mineiro havia sugerido, em entrevista ao programa Roda Viva, a criação de leis que impedissem pessoas de dormirem nas ruas, comparando-as a veículos guinchados.

O posicionamento foi rebatido de forma dura por Pacheco. “Não há dois lados quando se trata de defender as pessoas pobres do país. As pessoas que estão em situação de rua não podem ser guinchadas. Elas têm que ser cuidadas, o problema não é essas pessoas, é a desigualdade social neste país”, disse o senador.

Mais cedo, Lula também havia direcionado críticas ao governador mineiro, chamando-o de “falso humilde”. “Eu acho que o Zema é aquilo que podemos chamar de uma figura caricata. Ele tenta ser alguma coisa que não é. É por isso que eu o chamo de falso humilde”, afirmou o presidente. Ele ainda recordou a postura de Zema contra Fernando Pimentel (PT) durante gestões passadas. “Ele pautou todos os seus oito anos de mandato fazendo crítica ao governador Pimentel, tentando dizer que ele tinha destruído o estado e que agora tinha sido recuperado. O que aconteceu de verdade?”, questionou Lula.

Fotos: Ricardo Stuckert / PR


Avatar

administrator