O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou neste sábado (13), em Brasília, de uma grande ação do Sistema Único de Saúde (SUS), realizada no Hospital Universitário de Brasília (HUB). Durante o evento, ele defendeu a criação de “mutirões de um mês inteiro” como estratégia para reduzir as longas filas de consultas, exames e cirurgias na rede pública. A iniciativa integra o programa “Agora Tem Especialistas”, do Ministério da Saúde, que Lula pretende transformar em uma das principais bandeiras de seu governo.

Em discurso para profissionais de saúde e autoridades, Lula destacou a necessidade de ampliar o número de médicos no país, especialmente por meio do programa *Mais Médicos*. Ele afirmou que não basta apenas pagar horas extras aos profissionais, sendo necessário um esforço coletivo mais amplo para resolver os problemas da saúde pública.

“A gente precisa mapear quais são as áreas mais críticas e realizar mutirões com frequência, não apenas uma vez a cada três meses. Quem sabe a gente não faz um mês inteiro de mutirão”, disse Lula. O presidente também ressaltou a desigualdade na distribuição de médicos. “Uma parte da elite brasileira acha que não precisamos formar mais médicos, mas isso não é verdade. Em algumas regiões até temos profissionais suficientes, mas no interior, no Norte e no Nordeste, há cidades sem médicos, e os prefeitos não têm condições financeiras para pagar por esse atendimento”, afirmou.

Lula também defendeu o pagamento de horas extras como incentivo para diminuir a fila de espera. “Enquanto não tivermos médicos em número suficiente em todos os hospitais, nossos profissionais universitários e hospitais públicos terão que se esforçar ainda mais”, declarou.

Dados do Ministério da Saúde revelam que, em março de 2024, os pacientes esperaram, em média, 57 dias para atendimento — o maior índice desde o início da série histórica em 2009. Esse tempo supera até mesmo a média registrada durante a pandemia de Covid-19, que foi de 50 dias em 2020. O sistema permite acompanhar o tempo médio de espera por estado e especialidade, tanto para consultas quanto para cirurgias.

O mutirão realizado neste sábado faz parte do projeto “Ebserh em Ação – Agora Tem Especialistas”, que ocorre simultaneamente nos 45 hospitais universitários federais vinculados à rede Ebserh. A meta é ampliar o acesso a serviços especializados e reduzir o tempo de espera na rede pública.

Estão previstos mais de 29 mil atendimentos pelo SUS, incluindo 1,9 mil cirurgias eletivas, 4,5 mil consultas especializadas e 22,7 mil exames e terapias, em áreas como cardiologia, ortopedia, oftalmologia e saúde da mulher.

Foto: Ricardo Stuckert / PR


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