O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita nesta quinta-feira a Casa Branca pela quinta vez desde o início de sua trajetória no comando do governo brasileiro. Recordista de encontros presenciais na sede da Presidência dos Estados Unidos entre chefes de Estado do Brasil, Lula chega agora a Washington em um contexto considerado mais delicado do que nas ocasiões anteriores, tanto no cenário doméstico quanto na relação bilateral entre os dois países.
A reunião de trabalho ocorrerá com o presidente Donald Trump. Entre os principais assuntos previstos na pauta estão segurança pública, minerais críticos, o sistema de pagamentos Pix e temas ligados às tensões internacionais. O governo brasileiro também busca reduzir desgastes recentes provocados por disputas comerciais e por divergências diplomáticas acumuladas nos últimos meses.
A viagem acontece em meio a um momento de pressão política para Lula no Brasil. Na semana passada, o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, episódio tratado como derrota histórica para o Palácio do Planalto. Além disso, levantamentos recentes de popularidade e intenção de voto indicam queda na avaliação positiva do governo federal.
O professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas, Oliver Stuenkel, avalia que o encontro possui forte impacto político interno. Segundo ele, a relação com os Estados Unidos influencia diretamente o ambiente eleitoral brasileiro e pode repercutir na percepção pública sobre a capacidade diplomática do presidente.
As visitas anteriores de Lula à Casa Branca ocorreram em momentos mais favoráveis. Antes mesmo da posse de seu primeiro mandato, em 2002, emissários do PT atuaram junto ao governo de Fernando Henrique Cardoso para viabilizar uma reunião com o então presidente norte-americano George W. Bush.
O encontro abriu caminho para uma relação cordial entre Bush e Lula, apesar das diferenças ideológicas entre ambos. Segundo relatos históricos, o republicano demonstrou simpatia pessoal pelo líder petista, contribuindo para o fortalecimento das relações bilaterais naquele período.
Poucos meses depois da posse presidencial, Lula retornou aos Estados Unidos para nova reunião bilateral com Bush. Ainda durante o primeiro mandato, participou de outro encontro na Casa Branca ao lado de chefes de Estado convidados pelo governo americano. A quarta visita ocorreu em 2009, durante o segundo mandato presidencial, quando foi recebido por Barack Obama. Na ocasião, Lula vivia um dos períodos de maior aprovação popular de sua trajetória política.
Outros presidentes brasileiros também tiveram encontros na Casa Branca em diferentes períodos. Fernando Henrique Cardoso esteve na residência oficial dos Estados Unidos em duas ocasiões. Dilma Rousseff realizou duas visitas durante o governo Obama. Já Fernando Collor e Jair Bolsonaro participaram de uma visita oficial cada um.
Segundo Oliver Stuenkel, a reunião entre Lula e Trump pode produzir efeitos políticos e econômicos importantes. O especialista afirma que um encontro produtivo ajudaria o presidente brasileiro a reforçar sua imagem de liderança experiente na política externa e poderia reduzir riscos de interferência americana no processo eleitoral brasileiro.
A avaliação é que o diálogo direto entre os dois líderes também pode contribuir para amenizar tensões comerciais e diplomáticas acumuladas recentemente, além de ampliar canais de cooperação entre Brasília e Washington em áreas estratégicas para os dois países.
Foto: Roberto Stuckert Filho

