O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou, na terça-feira (31), a primeira reunião ministerial de 2026, em Brasília, marcada pela despedida de integrantes do governo que deixarão os cargos para disputar as eleições de outubro. Durante o encontro, o chefe do Executivo confirmou que Geraldo Alckmin será novamente candidato a vice-presidente da República em sua chapa.
A reunião teve caráter político e administrativo, reunindo ministros e auxiliares diretos do governo. Lula aproveitou a ocasião para destacar a importância da continuidade das ações governamentais e da estabilidade da gestão até o fim do mandato, previsto para dezembro deste ano.
Em seu discurso, o presidente fez críticas ao atual cenário político brasileiro, especialmente ao custo elevado das campanhas eleitorais. Segundo ele, há sinais de que a política tem se transformado em um ambiente dominado por interesses financeiros, o que compromete a qualidade da representação.
Lula afirmou que há relatos de que candidaturas a deputado federal podem exigir investimentos extremamente altos, o que, na avaliação dele, inviabiliza a participação de pessoas comprometidas com o interesse público. Para o presidente, essa realidade pode afastar lideranças qualificadas e dificultar a renovação política no país.
O chefe do Executivo também ressaltou que a responsabilidade por esse cenário é coletiva. De acordo com ele, a falta de enfrentamento de problemas estruturais ao longo dos anos contribuiu para o agravamento da situação política e institucional.
Durante a reunião, foi confirmado que pelo menos 18 dos 37 ministros do governo deixarão seus cargos para disputar as eleições. Entre os nomes está o próprio Geraldo Alckmin, que acumula a função de vice-presidente com a de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Pelas regras eleitorais, ocupantes de cargos no Executivo que desejam concorrer a outros postos devem se desincompatibilizar até seis meses antes do pleito. O prazo final para a saída é 4 de abril, considerando que o primeiro turno das eleições ocorrerá em 4 de outubro.
No caso do presidente e do vice-presidente da República, não há necessidade de renúncia para disputar a reeleição aos mesmos cargos. A exigência de afastamento se aplica apenas quando há intenção de concorrer a funções diferentes.
Lula também afirmou que não pretende promover mudanças estruturais no ministério neste momento. Segundo ele, as pastas que ficarem vagas serão ocupadas por integrantes da própria equipe, evitando a entrada de novos nomes e garantindo continuidade administrativa.
Como exemplo, o presidente mencionou a substituição no Ministério da Fazenda, com a ascensão do então secretário-executivo Dario Durigan ao comando da pasta após a saída de Fernando Haddad.
O presidente destacou que confia na equipe já formada e reforçou que ainda há muitos projetos a serem concluídos até o final do governo. Para ele, a prioridade deve ser assegurar o funcionamento pleno da máquina pública e a execução das políticas em andamento.
Ao encerrar a reunião, Lula reiterou o compromisso com a governabilidade e com a estabilidade institucional. Ele afirmou que o momento exige responsabilidade e foco, tanto na condução do governo quanto na preparação para o processo eleitoral que se aproxima.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

