O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro, de uma reunião com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa. O encontro, segundo informou o Palácio do Planalto, terá como foco temas da agenda internacional e os próximos passos do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, aprovado pelos países europeus na semana passada após um longo processo de negociação.
A reunião ocorrerá no Palácio Itamaraty, no centro da capital fluminense, com início previsto para as 13h. Após o encontro, os três dirigentes devem fazer uma declaração conjunta à imprensa, detalhando os pontos discutidos e o estágio atual do acordo entre os dois blocos econômicos.
Após mais de vinte e cinco anos de negociações, o tratado prevê a criação de uma ampla zona de livre comércio que reunirá cerca de setecentos e vinte milhões de habitantes. De acordo com dados divulgados pelos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o bloco formado a partir do acordo somará um Produto Interno Bruto estimado em vinte e dois trilhões de dólares.
Uma cerimônia de ratificação formal do acordo está prevista para este sábado, em Assunção, capital do Paraguai. O evento deve contar com a presença de líderes europeus e de ministros das Relações Exteriores dos países do Mercosul, marcando uma etapa simbólica importante do processo de consolidação do tratado.
Na última terça-feira, Lula conversou por telefone com o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro. Na ocasião, ambos concordaram em atuar de forma coordenada para acelerar a implementação do acordo. Segundo relato do governo brasileiro, os dois defenderam que a parceria gere resultados concretos para as populações dos países envolvidos.
“É fundamental que o acordo saia do papel e produza benefícios reais para os cidadãos, o comércio e o desenvolvimento”, disse Lula durante a conversa com o premiê português.
Apesar de celebrado por governos e setores industriais, o acordo ainda enfrenta resistência em alguns países europeus. Agricultores e grupos ambientalistas apontam riscos climáticos e temem concorrência considerada desigual no setor agrícola.
Na França, produtores rurais voltaram a protestar nesta semana, levando tratores às ruas de Paris. Para eles, o acordo pode ameaçar a agricultura local ao permitir a entrada de produtos sul-americanos a preços mais baixos.
Foto: Ricardo Stuckert/PR

