É claro que Lula vai levar hoje o tema da fome para o Jornal Nacional, que ignorou o assunto na entrevista com Bolsonaro. 

Ciro Gomes até que abordou a situação de miséria do povo, mas daquele jeito dele em que tudo é fracionado e disperso e pouco aprofundado. William Bonner e Renata Vasconcellos livraram Bolsonaro de questões que poderiam abalar o genocida. 

Nada trataram da corrupção na família. E a família toda tem mandato, todos os filhos têm função pública e estão enfiados em rolos. O JN nada abordou sobre a corrupção familiar, que envolve, com cheques ‘doados’ por Fabrício Queiroz, a mulher de Bolsonaro. 

Nada falaram da mansão e das rachadinhas de Flavio. Não tocaram na participação de Carluxo e Eduardo na estrutura das milícias digitais. Flavio, Eduardo e Carluxo estão na lista de pedidos de indiciamentos da CPI da Covid. 

Os filhos de Bolsonaro não são apenas filhos, são protagonistas da política, com grande influência sobre a postura do pai. 

Eduardo é o cara dos contatos externos, Flavio é o negociador no Congresso. Carluxo é o cara da estratégia das mídias digitais. Mas nada falaram deles. 

Se livraram Bolsonaro desses incômodos, como a dupla irá incomodar Lula quando o tema for corrupção e a anulação da Lava-Jato no Supremo? 

E o tom da conversa? Será acelerado como foi com Bolsonaro ou morno como aconteceu com Ciro Gomes? Como os dois conseguirão chegar a um meio termo, se é que desejam isso? 

O certo é que o padrão de entrevistas do JN faz com que o perguntador seja mais importante do que as perguntas e as respostas. 

Tudo para que a imposição da dupla global, por insegurança, seja mantida desde o começo. As perguntas são longas demais. Falta síntese e assim falta impacto. 

Há na postura arrogante e de certa forma enrolativa dos dois uma atitude clássica de canastrice, que existe, e muito, no jornalismo de exposição. Bonner e Renata são grandes apresentadores de telejornal, no modelo antigo do século 20 da bancada com um par de vasos. 

Mas não são bons entrevistadores, e talvez sejam apenas jornalistas medianos que viraram celebridades. Não há como ser um bom entrevistador fazendo entrevistas com candidatos a cada quatro anos.