O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) ocupou, na manhã de quinta-feira (24), os trilhos da Vale na região de Carapina, na Grande Vitória, Espírito Santo, como parte de uma série de ações para reivindicar justiça e reparação aos atingidos/as pelo crime socioambiental da Samarco (Vale-BHP) ocorrido em Mariana, Minas Gerais, em 2015. A mobilização também acontece na portaria do Complexo de Tubarão, em Vitória. O objetivo é pressionar as autoridades e empresas envolvidas para que reconheçam os direitos das comunidades pesqueiras da região e dos trabalhadores da Samarco no processo de reparação.
O ato ocorre em um momento estratégico, coincidente com o início do julgamento da mineradora BHP Billiton nos tribunais de Londres, uma das controladoras da Samarco, e às vésperas da assinatura do acordo de repactuação, que estabelece os termos de reparação para as vítimas da tragédia. O MAB denuncia que as negociações têm sido conduzidas sem a devida participação das comunidades atingidas, em desacordo com a Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens (PNAB), prevista na Lei 14.755/2023.
O movimento critica o valor insuficiente das indenizações oferecidas. Enquanto a Vale acumula lucros que ultrapassam R$ 260 bilhões nos últimos anos, o montante proposto para as vítimas gira em torno de R$ 30 mil por pessoa, um valor considerado incompatível com os danos socioambientais causados. Além disso, milhares de famílias ainda não conseguiram acessar auxílios financeiros emergenciais, mesmo estando em áreas previamente reconhecidas como atingidas.
Outro ponto central da manifestação é a exigência de que as comunidades pesqueiras de Vitória e Serra, atingidas pela contaminação das águas e do pescado, sejam oficialmente reconhecidas como atingidas. A expansão dos impactos ambientais, principalmente no ambiente marinho, reforça a necessidade de inclusão dessas comunidades no processo de reparação.
A mobilização visa alertar a sociedade sobre o descaso das mineradoras em relação às comunidades atingidas, que, mesmo após quase nove anos, continuam sofrendo com a perda de suas fontes de renda, contaminação do meio ambiente e a falta de justiça efetiva. O movimento também destaca a disparidade entre os lucros obtidos pelas empresas e a negligência no cumprimento das responsabilidades com as vítimas.
Com o julgamento em Londres, o MAB espera que uma condenação internacional possa estabelecer um precedente jurídico que pressione a justiça brasileira a punir de forma exemplar as empresas responsáveis pelo desastre. Até o momento, o processo criminal contra a Samarco e suas controladoras não avançou no Brasil, o que perpetua um cenário de impunidade. A ocupação dos trilhos da Vale simboliza o compromisso do Movimento e das comunidades atingidas em lutar por seus direitos e garantir que o novo acordo de repactuação contemple suas demandas de maneira justa e participativa.

