O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, compareceu na manhã desta sexta-feira, 13, à sede da Polícia Federal (PF) em Brasília, para prestar depoimento no âmbito da investigação que apura a suspeita de que o ex-ministro do Turismo Gilson Machado teria tentado obter um passaporte português para viabilizar sua fuga do país.
Machado foi preso no decorrer da apuração. Cid chegou a ter a prisão decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, mas a medida foi posteriormente revogada. O militar chegou à PF em um carro e não concedeu entrevistas à imprensa.
Delator no inquérito que investiga a articulação de um plano golpista coordenado por aliados de Bolsonaro para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cid também é réu no núcleo central da trama. Em interrogatório recente, conduzido por Moraes no STF na última segunda-feira, 9, Cid confirmou ter recebido uma caixa de vinho contendo dinheiro das mãos do general Walter Braga Netto, então ministro da Casa Civil. O montante seria entregue ao major do Exército Rafael Oliveira, integrante do grupo conhecido como “kids pretos”, acusado de planejar atentados contra Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o próprio Moraes. O ex-ajudante afirmou desconhecer a origem dos recursos e sua destinação.
Cid também confirmou a existência de minutas golpistas que previam a decretação de Estado de sítio ou de defesa, com o objetivo de impedir a posse de Lula e autorizar a prisão de Moraes.
A defesa de Cid sustenta que ele cumpre rigorosamente as medidas cautelares impostas pelo STF e nega qualquer tentativa de obter passaporte português para fugir do país. Os advogados Cezar Bitencourt, Vania Adorno Bitencourt e Jair Alves Pereira esclareceram que Cid possui cidadania portuguesa e uma carteira de identidade de Portugal, informação que já havia sido comunicada ao Supremo.
Em fevereiro, Moraes determinou que a defesa explicasse por que Cid havia solicitado passaporte português e se já possuía documentação oficial do país europeu. Os advogados informaram que Cid entrou com o pedido de cidadania portuguesa em 11 de janeiro de 2023, justificando a solicitação pelo fato de toda a sua família já possuir essa nacionalidade.
Fonte: Estadão
Foto: Wilton Junior/Estadão

