O tenente-coronel Mauro Cid, delator na ação penal que apura a tentativa de golpe de Estado, afirmou nesta terça-feira, 24, que omitiu da Polícia Federal (PF) a informação sobre a entrega de dinheiro feita pelo general Walter Braga Netto porque estava em “choque” após a prisão de colegas militares. A declaração foi dada durante a acareação entre os dois no Supremo Tribunal Federal (STF), procedimento destinado a esclarecer versões conflitantes apresentadas ao longo das investigações.
Durante a audiência, a defesa de Braga Netto questionou Cid sobre o motivo de não ter relatado à PF, no depoimento de novembro de 2024, a suposta entrega de dinheiro feita pelo general. “O réu colaborador (Cid) reiterou que estava em choque”, registrou a ata da acareação conduzida pelo STF.
O ministro Luiz Fux também perguntou sobre a omissão, e Cid explicou que o estado de “choque” ocorreu especificamente durante aquele depoimento, pois, naquele momento, colegas próximos haviam sido presos por envolvimento em “fatos gravíssimos”. Cid destacou que nos outros depoimentos não estava sob o mesmo impacto emocional, já que os interrogatórios seguintes passaram a fazer parte da rotina do processo de delação.
Apesar da acareação, os dois mantiveram versões divergentes sobre o episódio. Cid reafirmou que Braga Netto lhe entregou dinheiro dentro de uma caixa de vinho no Palácio da Alvorada, em 2022. Braga Netto, por sua vez, voltou a negar o repasse, conforme relatado na ata da sessão.
Nos depoimentos anteriores, Mauro Cid já havia sustentado que o dinheiro entregue pelo general deveria ser repassado a um dos militares das Forças Especiais, conhecidos como “kids pretos”, para financiar ações consideradas antidemocráticas. O episódio permanece como um dos principais pontos de contradição no processo.
Foto: Rosinei Coutinho/STF

