Foi inaugurado nesta quinta-feira (19) no Rio de Janeiro o Memorial às Vítimas do Holocausto. O espaço fica no topo do Morro do Pasmado, em Botafogo, na Zona Sul. A entrada é franca.
O museu retrata, com experiências imersivas, a rotina de judeus antes, durante e depois dos horrores da Segunda Guerra Mundial.
“O visitante não vai ver a história do nazismo ou da Segunda Guerra, mas o Holocausto pelos olhos de quem sofreu — pessoas normais, comuns como nós, que foram transformadas de uma hora para outra em vítimas”, explicou Alfredo Tolmasquin, coordenador da equipe de curadoria do Memorial do Holocausto.
Um monumento de 20 metros de altura relembra os Dez Mandamentos, com destaque para o sexto: “Não matarás“. O visitante então desce ao subsolo.
A primeira parte da exposição mostra fotos que retratam a vida antes do Holocausto. É uma sala iluminada, colorida e com sons do cotidiano: crianças brincando, festas de aniversário… tudo o que essas pessoas perderam durante o regime nazista.
Alberto Klein, presidente da Associação Cultural Memorial do Holocausto, ensina que a primeira sala mostra “uma Europa normal e democrática“.
“E a gente vê o horror que pode acontecer quando entram o preconceito e a intolerância — as pessoas não têm noção do que pode ocasionar”, disse.
O espaço seguinte retrata a vida durante o Holocausto.
“O Holocausto não começou com os campos de concentração e de extermínio: começou com intolerância, preconceito e perseguição”, lembra Alfredo.
“Houve notícias falsas sobre aqueles grupos. Por exemplo, dizia-se que os ciganos eram todos ladrões e que os judeus eram parte de um movimento internacional comunista. Mentiras que foram propagadas e criando uma situação que permitiu que o Holocausto acontecesse”, ensinou.
A iluminação muda: não há cores vibrantes, as fotos são em preto e branco, e não tem nenhum som. O silêncio só é quebrado quando o visitante toca numa tela e ouve histórias dos sobreviventes.
Como Jorge Tredler, que nasceu em Varsóvia e viu os pais irem para um campo de concentração quando ele tinha apenas 5 anos de idade.
“Quando eu olho as fotos, eu sinto, além da emoção, muita saudade. Pois muitos que aparecem eu conheci pessoalmente”, descreveu Jorge.
A última parte traz a vida depois do Holocausto, com foco na capacidade humana de resiliência.
“Essas pessoas, cada uma a seu modo, foram reconstruindo suas vidas. Isso mostra a nossa capacidade de reconstruir e de recomeçar, por pior que tenha sido a experiência”, descreveu Alberto.
Um mapa mostra o fluxo migratório dos povos perseguidos se espalhando pelo mundo. As imagens ganham movimento, simbolizando a ideia da vida sendo retomada após tantas perdas.
No centro, uma mesa interativa dos sobreviventes acolhidos no Brasil é um grande álbum de fotos com informações como cidade de nascimento e cidade de acolhimento.
Alberto Klein ressaltou que “uma sociedade, para progredir, precisa ser plural e diversa”.
“O objetivo maior é transmitir valores. É trazer as escolas, mostrar aqui dentro o horror do Holocausto nazista e sair e ver uma cidade linda e bela — e sabendo aceitar a diferença”, declarou.
“É uma história muito triste, mas eu não quero transmitir somente a tristeza. Eu quero transmitir para o futuro, para saber que isso existe e não permitir que isso exista mais. Holocausto nunca mais!”, emendou Jorge.

