O deputado federal Mendonça Filho (União Brasil) afirmou que o impasse envolvendo a criação da federação União Progressista tem provocado insegurança jurídica e política entre integrantes das duas legendas. A declaração foi feita nesta segunda-feira (16) durante entrevista concedida à Rádio Folha 96,7 FM.
Vice-presidente do União Brasil em Pernambuco, o parlamentar defendeu maior rapidez na definição sobre a federação formada com o Progressistas. Segundo ele, a indefinição gera dúvidas para dirigentes, prefeitos e parlamentares que precisam tomar decisões políticas com a proximidade do prazo de filiação partidária.
Durante a entrevista, Mendonça afirmou que a situação atual cria um ambiente de incerteza dentro das legendas. “Para mim, isso se chama insegurança jurídica. Insegurança jurídica no limite do prazo de filiações, na prática, significa também insegurança política”, declarou.
O deputado explicou que solicitou ao presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, a suspensão do processo de oficialização da federação. A proposta de união partidária está em fase final de análise no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
De acordo com Mendonça Filho, a paralisação temporária permitiria que as decisões políticas fossem tomadas com maior clareza após o período eleitoral. Ele afirmou que precisa alinhar sua posição com prefeitos aliados e outras lideranças políticas antes de qualquer definição definitiva.
O parlamentar também reiterou que apoia a reeleição da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD). Segundo ele, essa posição é definitiva e não será alterada independentemente das negociações partidárias.
“Se a gente está nesse impasse, vamos deixar para discutir isso depois da eleição. Depois da eleição, a gente discute e vê qual é o tamanho de cada partido. Agora, eu não posso ficar aqui numa dúvida terrível, com prefeitos pressionando. E os vereadores, os deputados estaduais e os deputados federais todos inquietos, sem saber qual é o rumo e qual é o caminho a ser tomado”, afirmou.
Mendonça Filho também declarou que sempre foi contrário à criação da federação entre União Brasil e Progressistas. Segundo ele, a união poderia provocar perda de identidade partidária e ampliar conflitos internos nos estados.
O deputado lembrou que Pernambuco reúne diferentes grupos políticos dentro das duas legendas. Entre eles estão o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil).
Há especulações de que lideranças desses grupos possam integrar uma das candidaturas ao Senado na chapa do prefeito do Recife, João Campos (PSB), na disputa pelo governo estadual.
Mendonça afirmou que a possibilidade de a federação apoiar o projeto político de João Campos tornaria inviável sua permanência na aliança partidária. “Como é que eu vou ficar numa federação que, depois do dia 4 de abril, pode estar com o João Campos? Eu não vou estar no palanque de João Campos. Eu vou estar no palanque de Raquel. Todo mundo sabe disso. Não há força humana que possa me fazer mudar a posição de apoiar Raquel Lyra”, disse.
O parlamentar acrescentou que sua posição não representa um confronto com outros dirigentes das legendas, mas sim uma tentativa de alertar para os prazos eleitorais que se aproximam.
Ele destacou que a chamada janela partidária, período em que parlamentares podem trocar de partido sem risco de perder o mandato, termina no dia 4 de abril. Por isso, segundo ele, é necessário que haja definição clara sobre o futuro da federação.
Para Mendonça Filho, a transparência e a clareza nas decisões partidárias são fundamentais para garantir estabilidade política e permitir que lideranças tomem decisões seguras antes do início oficial do processo eleitoral.
Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados

