A cobertura vacinal contra meningite é a mais baixa dos últimos quatro anos em Minas Gerais entre crianças, segundo dados do Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizantes (SIPNI).

No primeiro semestre de 2022, a vacinação alcançou 74,24% das crianças menores de um ano e 76,05% das de um ano.  A meta estabelecida pelo Ministério da Saúde é de 95%.

Em BH, o índice ficou ainda mais baixo do que a média do estado. No primeiro semestre deste ano, atingiu apenas 62% das crianças aptas a receberem a vacina.

A baixa imunização já se reflete no aumento do número de casos na capital mineira. Somente nos seis primeiros meses de 2022, foram registrados 76 casos de meningite, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde. O número já supera os 77 casos registrados durante todo o ano de 2021.

Em 2021, a cobertura vacinal de crianças até 1 ano de idade foi de 68,4%. Em 2022, até o momento, a cobertura está em cerca de 62%.

“Quando a cobertura vacinal é baixa há risco de aumento do número de casos da doença, porque as pessoas não estão protegidas. Os microrganismos circulam mais e podem ser transmitidos de pessoa para pessoa”, alerta a infectologista Cláudia Murta.

Em geral, a transmissão da doença é de pessoa para pessoa, por meio das vias respiratórias, por gotículas e secreções do nariz e da garganta. Também ocorre a transmissão fecal-oral, pela ingestão de água e alimentos contaminados e contato com fezes.

A especialista também chama atenção para os quadros graves da meningite bacteriana, que podem levar a mortalidade de 20 a 40% dos casos. “Sem um tratamento adequado, a pessoa pode ficar com sequelas motoras, surdez e déficit de memória”, explica Cláudia Murta.

Cobertura vacinal cai desde 2019 

Em 2019, a cobertura vacinal entre crianças menores de um ano quase atingiu a meta e ficou em 91,46%, mas depois começou a cair nos anos seguintes: em 2020, foi de 86,47% e em 2021 atingiu 75,17%. O pior resultado foi o do primeiro semestre de 2022 – 73,55%.

A situação não foi muito diferente entre as crianças de um ano. Em 2019 atingiu 98,93% de cobertura vacinal e caiu no ano seguinte para 85,74%. Em 2021 reduziu ainda mais e chegou em 73,55%, subindo para 76,05% no primeiro semestre de 2022.

A especialista faz um apelo para que os pais levem as crianças aos postos de saúde, onde a vacina é oferecida gratuitamente e faz parte do Programa Nacional de Imunização.


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