As estimativas do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos permaneceram estáveis na edição desta segunda-feira (2) do Boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central. As projeções para o crescimento da economia e para a inflação em 2026 não sofreram alterações relevantes em relação à semana anterior.
A previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano segue em 1,82%. Para 2027, a expectativa de expansão ficou em 1,8%. Já para 2028 e 2029, os analistas estimam crescimento de 2% em ambos os anos.
No terceiro trimestre de 2025, a economia brasileira registrou alta de 0,1%, resultado considerado estabilidade pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado foi puxado principalmente pelos setores da indústria e da agropecuária. A divulgação do PIB consolidado de 2025 está prevista para esta terça-feira (3).
Em 2024, o PIB fechou com crescimento de 3,4%, marcando o quarto ano consecutivo de expansão. Foi o maior resultado desde 2021, quando a economia avançou 4,8%.
A previsão para o dólar ao fim deste ano permanece em R$ 5,42. Para o encerramento de 2027, a estimativa é de R$ 5,50.
No caso da inflação, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 3,91% para 2026, interrompendo sequência de 7 semanas seguidas de queda nas estimativas. Para 2027, a previsão recuou levemente de 3,8% para 3,79%. Em 2028 e 2029, a expectativa é de 3,5% em ambos os anos.
A projeção para 2026 permanece dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), fixada em 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o limite inferior é de 1,5% e o superior de 4,5%.
Em janeiro, a inflação mensal ficou em 0,33%, mesmo patamar registrado em dezembro, influenciada principalmente pelo aumento nas tarifas de energia elétrica e no preço da gasolina. Com esse resultado, o IPCA acumula alta de 4,44% em 2025.
Para controlar a inflação, o Banco Central utiliza como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Na última reunião, realizada no fim de janeiro, o colegiado manteve a taxa inalterada pela quinta vez consecutiva.
A Selic está no maior nível desde julho de 2006, quando atingiu 15,25% ao ano. Em ata, o Copom indicou que poderá iniciar um ciclo de cortes na reunião de março, caso o cenário inflacionário permaneça favorável e não haja surpresas no ambiente econômico.
Mesmo assim, a política monetária continuará restritiva. A estimativa dos analistas para a Selic ao final de 2026 foi reduzida de 12,13% para 12% ao ano. Para 2027, a expectativa é de 10,5%, caindo para 10% em 2028 e 9,5% em 2029.
Quando o Copom eleva a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, encarecendo o crédito e estimulando a poupança. Juros mais altos tendem a reduzir a pressão sobre os preços, mas também podem desacelerar a atividade econômica.
Por outro lado, quando a Selic é reduzida, o crédito tende a ficar mais barato, incentivando consumo e investimentos. Esse movimento estimula a produção e o crescimento, mas pode dificultar o controle da inflação caso a demanda avance acima da capacidade produtiva.
Foto: José Paulo Lacerda/CNI

