Passageiros do transporte público de Belo Horizonte não sentiram os efeitos do aumento de 15% no número de viagens previsto a partir desta terça-feira (12). Quem depende dos ônibus para se deslocar reclamou de atraso, filas e lotação.

O movimento foi intenso na Estação Pampulha. Moradora do bairro Santa Amélia, a atendente Márcia Almeida, de 27 anos, aguardava na fila para pegar a linha 50 do Move. Ela não percebeu as mudanças prometidas: “Está a mesma coisa. Ônibus bem cheios, lotados”, afirma.

Na avaliação dela, os anúncios de ampliação dos horários não traduzem uma melhoria efetiva. “É uma falta de respeito, porque a gente depende e paga pelo transporte público. E acaba não sendo muito útil pra gente, que temos que adequar aos horários deles. A gente gasta mais tempo indo trabalhar, às vezes do que o tempo de trabalho”, afirma.

Visão semelhante tem Vitoria Ketlhen, de 20 anos, moradora do bairro Jardim Guanabara. Diariamente, ela pega dois ônibus para ir ao trabalho. “Hoje estava bem cheio, não teve diferença nenhuma. Não existiu diferença para mim. Que eles cumpram esse aumento”, lamenta.

Ela afirma que, caso deseje ter o “conforto” de ir sentada para o trabalho, precisa sair de casa cerca de duas horas antes do trabalho. Do contrário, “vai em pé, segurando para não cair”.

Gabriel Tomás, de 19 anos, morador do bairro Jardim Atlântico, é outro que não sentiu diferença. Ele afirma que, inclusive, desconhecia a ampliação dos horários. “Muita gente para entrar nos ônibus. Sinceramente, a gente espera que melhore. Mas na prática não faz muita diferença”, afirmou.

A reportagem questionou o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH) sobre as reclamações dos passageiros e aguarda retorno. A BHTrans também foi procurada.

Ampliação de horários

O contrato de subsídio prevê aumento de 30% no número de viagens em relação ao registrado em março de 2022. São duas fases de ampliação. A primeira começa nesta terça e vai até o dia 26 e prevê um mínimo de 19.203 viagens (15% a mais).

A partir de 27 de julho, o contrato prevê novo aumento de 15% no número de viagens, que deve subir para, no mínimo, 21.708. Descumprimento pode gerar suspensão do repasse do subsídio


Paola Tito