A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tem intensificado sua atuação política dentro do PL mesmo sem manter a rotina de viagens que marcou sua agenda nos últimos anos. Desde que o ex-presidente Jair Bolsonaro passou a cumprir prisão domiciliar após receber alta hospitalar no fim de março, Michelle adaptou sua estratégia de mobilização e passou a participar de encontros partidários, reuniões e eventos por meio de videochamadas e transmissões remotas.

Na semana passada, durante um encontro do PL Mulher realizado em Palmas, no Tocantins, Michelle apareceu em um telão instalado no local para conversar com dezenas de lideranças femininas. Na ocasião, destacou a importância da participação das mulheres na política e afirmou que o objetivo não é competir com os homens, mas atuar em conjunto na construção de projetos políticos.

A nova dinâmica tem se repetido com frequência. Há duas semanas, por exemplo, a ex-primeira-dama participou remotamente de uma reunião com prefeitas e lideranças femininas reunidas em Brasília. Segundo aliados, a participação ocorreu diretamente de sua residência, onde ela acompanha de perto a recuperação e os cuidados com Jair Bolsonaro.

Interlocutores afirmam que Michelle tem evitado permanecer longos períodos longe de casa desde que o ex-presidente passou a necessitar de acompanhamento constante. Pessoas próximas relatam que ela considera importante estar presente para evitar qualquer desgaste político decorrente de eventuais intercorrências relacionadas à saúde do marido ou questionamentos sobre o cumprimento das determinações judiciais.

Diante desse cenário, a presidente nacional do PL Mulher passou a apostar em transmissões ao vivo, gravações de vídeos e articulações digitais com lideranças espalhadas pelo país. O formato deverá ser mantido nas próximas semanas em agendas previstas para estados como São Paulo, Goiás e Ceará. As atividades presenciais ficaram praticamente restritas ao Distrito Federal.

Mesmo com a redução das viagens, aliados sustentam que Michelle atravessa um dos momentos de maior atividade política desde que assumiu o comando do segmento feminino do partido. O principal objetivo é fortalecer a presença de mulheres na legenda e ampliar a bancada feminina da sigla nas próximas eleições.

Segundo integrantes do PL, a ex-primeira-dama trabalha com a meta de contribuir para a eleição de pelo menos vinte parlamentares mulheres. A estratégia concentra esforços principalmente na montagem de chapas proporcionais e na articulação de candidaturas consideradas prioritárias em diversos estados.

Em Goiás, Michelle apoia a ex-prefeita Maria Yvelônia para a Câmara dos Deputados. No Maranhão, atua em favor das candidaturas de Mariana Carvalho e Flávia Berthier. Em Mato Grosso, participa da articulação pela reeleição da deputada Coronel Fernanda. No Paraná, apoia a vereadora Carlise Kwiatkowski. Já no Amazonas, trabalhou para fortalecer a pré-candidatura da professora Maria do Carmo.

A movimentação política da ex-primeira-dama também passou a influenciar disputas majoritárias estaduais e evidenciou divergências com setores ligados ao senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República. Embora as diferenças raramente sejam expostas publicamente, interlocutores identificam uma disputa silenciosa sobre os rumos do grupo político liderado por Jair Bolsonaro.

O Ceará tornou-se um dos principais exemplos dessas divergências. Enquanto aliados de Flávio defendem aproximação com Ciro Gomes e apoiam o deputado estadual Alcides Fernandes para o Senado, Michelle tem atuado contra qualquer composição envolvendo o ex-governador cearense e priorizado o apoio à vereadora Priscila Costa. Ela também mantém alinhamento com o senador Eduardo Girão em projetos políticos no estado.

No Distrito Federal, Michelle reforçou a aproximação com a vice-governadora Celina Leão e passou a defender a candidatura da deputada Bia Kicis ao Senado. Além disso, incentiva a candidatura de Eduardo Torres, seu irmão de criação, para deputado distrital.

Em Santa Catarina, a ex-primeira-dama trabalhou para consolidar a deputada Carol de Toni como uma das prioridades do grupo para a disputa ao Senado. Em São Paulo, manifestou apoio à deputada Rosana Valle, enquanto setores ligados a Flávio passaram a apoiar o presidente da Assembleia Legislativa paulista, André do Prado.

Paralelamente à construção de sua bancada feminina, Michelle vem mantendo distância da pré-campanha presidencial do enteado. Pessoas próximas afirmam que ela já comunicou a Jair Bolsonaro que não pretende assumir papel central na campanha de Flávio. O afastamento teria se intensificado após divergências políticas registradas nos últimos anos e por desentendimentos internos envolvendo integrantes da família.

Recentemente, ao ser questionada sobre o envolvimento de Flávio Bolsonaro em episódios relacionados ao banqueiro Daniel Vorcaro, Michelle evitou comentar o assunto e limitou-se a afirmar que as perguntas deveriam ser direcionadas ao senador. O episódio foi interpretado por aliados como mais um sinal do distanciamento político entre ambos.

Foto: Divulgação/ PL


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