A ex-primeira-dama e presidente do PL Mulher, Michelle Bolsonaro, fez duras críticas às denúncias apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Jair Bolsonaro e mais 33 pessoas, acusadas de participação em uma suposta trama golpista. Em entrevista divulgada pelo site O Antagonista nesta sexta-feira, Michelle afirmou que parte das acusações foram embasadas em uma delação obtida por meio de coerção. Segundo ela, o depoimento teria sido extraído “na base de ameaças e de práticas que mais parecem uma tortura psicológica ou um pau de arara do século 21”.

A PGR acusa o ex-presidente de tentar se manter no poder ilegalmente e impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva. A denúncia está sendo analisada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabeleceu um prazo de 15 dias, com vencimento em 6 de março, para que todos os denunciados apresentem suas manifestações.

Para Michelle Bolsonaro, a denúncia enfrenta resistência até mesmo entre especialistas em direito e figuras historicamente ligadas à esquerda. “É estranho perceber que sempre que o governo Lula se encontra em uma situação delicada, surge algo envolvendo Bolsonaro. São operações contra militares, prisões de inocentes e denúncias com roteiro de novela barata. Tudo parece feito para desviar o foco das trapalhadas do governo ou até mesmo esconder as vergonhosas anulações das penas de criminosos condenados na Lava Jato”, declarou a ex-primeira-dama.

Michelle também sugeriu que as investigações contra o ex-presidente avançam nos momentos em que o governo federal enfrenta maior pressão da opinião pública. “Essas coisas parecem surgir para tentar disfarçar os problemas do governo”, afirmou.

A presidente do PL Mulher também falou sobre sua possível entrada na disputa eleitoral de 2026. Seu nome tem sido cogitado para concorrer ao Senado, especialmente pelo Distrito Federal. No entanto, Michelle evitou confirmar qualquer intenção de candidatura. “As eleições só acontecem em 2026. Ainda há muito tempo para decidir. Não há nada concreto sobre qual cargo eu poderia disputar”, disse.

As acusações contra Bolsonaro apresentadas pela PGR incluem os crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição do estado democrático de direito, dano qualificado por violência e grave ameaça contra patrimônio da União, além da deterioração de patrimônio tombado. A investigação aponta Bolsonaro como o principal articulador do plano.

Entre as provas reunidas pela PGR, há indícios de que o ex-presidente revisou e solicitou mudanças em uma minuta golpista. O documento sugeria a prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal, como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Durante a elaboração do texto, Bolsonaro teria pedido para excluir os nomes de Gilmar Mendes e Pacheco da minuta.

O plano previa a prisão de autoridades e uma intervenção militar, que teria como justificativa a suposta atuação inconstitucional do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra Bolsonaro. Segundo a acusação, as Forças Armadas seriam acionadas para atuar como um “poder moderador”, buscando reverter o resultado das eleições de 2022.

 

Foto: Brenno Carvalho