No primeiro dia do julgamento no Supremo Tribunal Federal que pode resultar na condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente e sua esposa, Michelle Bolsonaro, acompanharam os acontecimentos em locais diferentes. Enquanto Bolsonaro permaneceu em sua casa, em Brasília, cercado por alguns filhos, a ex-primeira-dama esteve na sede nacional do PL, onde a cúpula do partido montou um “quartel-general” para monitorar os votos dos ministros e articular reações políticas.
A escolha de caminhos distintos revelou o contraste entre as posições atuais do casal. Bolsonaro, enfraquecido pelo desgaste político e limitado pelas restrições médicas e jurídicas, manteve-se em recolhimento. Ele enfrenta episódios recorrentes de soluços desde a facada de 2018 e cumpre prisão domiciliar, seguindo orientações da defesa. Michelle, por outro lado, assumiu papel de destaque ao lado de dirigentes do partido e parlamentares aliados.
Na sede do PL, em uma sala reservada, ela se posicionou ao lado de Valdemar Costa Neto, presidente da legenda, acompanhando cada detalhe da sessão. A bancada da sigla no Congresso, por sua vez, seguiu reunida na residência do líder da oposição, Tenente-Coronel Luciano Zucco. Segundo aliados, a presença de Michelle teve o objetivo de reforçar uma mensagem de “unidade e força”, contrapondo-se à imagem de isolamento que acompanha o ex-presidente desde sua prisão.
No condomínio onde vive, Bolsonaro recebeu a visita dos filhos Carlos e Jair Renan. Eduardo, que está nos Estados Unidos, e Flávio, ocupado no Congresso, não participaram do encontro. O clima familiar foi descrito como simples, com a rotina girando em torno da televisão. Antes de se dirigir à sede do PL, Michelle chegou a preparar quitutes, em mais uma tentativa de manter certa normalidade em meio ao cenário de tensão política.
Fotos.: Beto Barata/ PL

