O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), usou sua participação no Fórum Empresarial Lide, realizado nesta sexta-feira no Rio de Janeiro, para criticar o chamado “ativismo judicial” e defender que o reconhecimento de um magistrado deve estar baseado em suas decisões, e não em intimidação.

“O Estado de Direito fortalecido depende de uma demanda de autocontenção do Poder Judiciário. Ele se contrapõe ao ativismo judicial, que suprime, desconsidera e supera os consensos sociais estabelecidos pelos representantes periodicamente eleitos”, afirmou Mendonça. “O bom juiz deve ser reconhecido por suas decisões, e não pelo medo.”

O ministro também defendeu a importância da liberdade de expressão, sem citar diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para Mendonça, o fortalecimento institucional exige que os cidadãos possam “expor suas ideias sem serem perseguidos por suas falas públicas ou de terem suas falas privadas expostas de maneira ilegítima”.

O evento contou com a presença de empresários, investidores e dirigentes de partidos políticos, incluindo o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Na ocasião, Mendonça recebeu aplausos ao final de sua fala.

Valdemar Costa Neto, por sua vez, fez referência à situação de Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar, e declarou que a condição tem o “destruído pessoalmente”. Ele também buscou reduzir tensões geradas recentemente entre os filhos do ex-presidente e governadores de direita que se colocam como potenciais candidatos à Presidência. Na semana anterior, Carlos Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, com o apoio do irmão Eduardo, que esses governadores “se comportam como ratos” e agem de forma “oportunista” ao tentar herdar o espaço político de Jair Bolsonaro.

Valdemar ponderou o episódio. “Às vezes, nós nos deparamos com problemas na família, algum desentendimento porque é muito duro. Você vê o seu pai sofrer dessa maneira como, por exemplo, aconteceu essa semana passada, que fizeram uma crítica grande aos candidatos que estão se colocando candidatos à Presidência da República. Todos são parceiros nossos, todos são os melhores aprovados no Brasil”, disse.

Além do debate sobre a situação de Bolsonaro, o evento foi palco de críticas à condução do governo Lula em relação à crise criada pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Essas manifestações ficaram a cargo dos presidentes do União Brasil, Antônio Rueda, e do PP, Ciro Nogueira, que nesta semana formalizaram a união de suas legendas em uma federação.

Ciro Nogueira elevou o tom ao criticar a política externa brasileira. “Estamos numa encruzilhada, que é o Lula com essa política errada de atacar os Estados Unidos, com essa criatura das cavernas que é o Celso Amorim comandando a nossa política internacional. Um homem que pensa só em atacar Israel e os EUA como se fosse um atraso do mundo. Os EUA podem até perder o protagonismo, mas isso não vai acontecer nos próximos 50 anos”, disse o ex-ministro da Casa Civil.

Já Antônio Rueda comparou a postura do Brasil com a de outros países que, mesmo diante de sanções impostas por Washington, mantiveram negociações diretas com o então presidente norte-americano Donald Trump. “Para deixar claro que o Brasil, é preciso retomar o pragmatismo das relações internacionais e rever a condição do Brasil. Biden sancionou 6 mil pessoas na Rússia, há dois anos atrás. Na semana passada, nós vimos o presidente Putin no Alasca apertando a mão do presidente Trump. O Zelensky foi literalmente humilhado há dois meses atrás. Também na semana passada, ele foi lá e conversou com o presidente Trump. Aqui no Brasil, temos um presidente que, desde que começou essa guerra tarifária, não fez uma ligação”,

Foto: Reprodução/YouTube

 


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