O ministro de Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul, Paulo Pimenta, negou neste domingo (16) a existência de um “gabinete” de influenciadores digitais alinhados ao governo federal para “fazer luta política ou algo parecido”.

Ex-titular da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Pimenta afirmou em uma rede social que não existe no governo Lula “nada semelhante” ao “gabinete do ódio” da gestão de Jair Bolsonaro (PL), que disseminava informações falsas a favor do então presidente e atacava opositores.

“Não existe nem nunca existiu ‘gabinete’ nenhum envolvendo governo e comunicadores de esquerda para fazer luta política ou algo parecido. É uma tentativa irresponsável de igualar um esquema criminoso de produção industrial de mentiras e desinformação com opinião de ativistas digitais progressistas. Nunca existiu, repito, nada semelhante ao ‘gabinete do ódio’, que se utilizou de recursos públicos e com a máquina do Estado para investigar e atacar adversários”, publicou Pimenta.

Na semana passada, o líder da oposição no Senado Federal, Rogério Marinho (PL-RN), pediu que o Tribunal de Contas da União (TCU) investigue a existência de um gabinete de aliados de Lula criado para divulgar notícias falsas que beneficiem o governo federal e prejudiquem adversários.

O pedido foi feito após reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo“, que cita a atuação de um “gabinete da ousadia” para produzir conteúdo ligado ao PT. Segundo o jornal, o grupo articulado ao governo federal repetiria a fórmula do “gabinete do ódio” de Bolsonaro.

A declaração de Pimenta segue a linha da nota divulgada pela Secom, que negou que promova reuniões com “uma versão petista do gabinete do ódio”. O governo afirmou que a reportagem fez uma “abordagem sensacionalista e enviesada que distorce os fatos”.

Gabinete do ódio

Durante o mandato de Jair Bolsonaro (2019-2022) foi divulgada a existência de uma rede digital para a disseminação em massa nas redes sociais de informações falsas em favor do então chefe do Executivo e contra opositores do governo, conhecida como “gabinete do ódio”.

Em delação à Polícia Federal (PF) o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Barbosa Cid, confirmou que três assessores presidenciais utilizavam a estrutura do governo, em uma sala do Palácio do Planalto, para produzir parte do conteúdo que o então presidente difundia para seus contatos e nas redes sociais.

Segundo a investigação da PF, o material continha ataques às instituições democráticas, como o Supremo Tribunal Federal (STF).

As informações dadas pelo militar reforçaram a principal suspeita da PF no inquérito das milícias digitais, de que Bolsonaro e aliados usaram a estrutura do governo para atacar e tentar fragilizar as instituições.

O chamado “gabinete do ódio”, segundo o relato de Cid, era formado por Tércio Arnaud Tomaz, José Matheus Sales Gomes e Mateus Matos Diniz — referidos no depoimento apenas por seus primeiros nomes.

Tomaz e Gomes foram nomeados assessores especiais do gabinete pessoal do presidente em janeiro de 2019, no início do governo Bolsonaro. Diniz ocupava um cargo na Secretaria de Comunicação.


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