Uma missa foi celebrada na manhã deste sábado, 14, na Igreja Nossa Senhora do Parto, no centro do Rio de Janeiro, em memória dos 8 anos do assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes. A cerimônia reuniu familiares, amigos, apoiadores e militantes de movimentos sociais que acompanharam a trajetória da parlamentar e a luta por justiça após o crime ocorrido em 2018.
O ato religioso teve significado especial neste ano por ser a primeira celebração realizada na data do assassinato após a condenação dos mandantes do crime. A decisão foi tomada pelo Supremo Tribunal Federal em 25 de fevereiro, quando os ministros condenaram por unanimidade os responsáveis apontados pelas investigações.
Entre os condenados estão o ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro Domingos Brazão, o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, irmão de Domingos, e o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa. Também foram condenados o major da Polícia Militar Ronald Alves de Paula e o ex-policial militar Robson Calixto, que atuava como assessor de Domingos Brazão. Todos já estavam presos preventivamente.
Durante a missa, familiares de Marielle destacaram a importância da mobilização da sociedade ao longo dos anos para que o caso avançasse e chegasse à responsabilização dos envolvidos. O pai da vereadora, Antonio Francisco da Silva Neto, afirmou que a data representa um momento de dor, mas também de reconhecimento da luta travada pela família.
Segundo ele, a condenação dos mandantes foi uma vitória importante após anos de espera por respostas. Antônio Francisco agradeceu o apoio recebido por amigos, movimentos sociais e pessoas que acompanharam o caso desde o início das investigações.
A mãe da vereadora, Marinete da Silva, também falou durante a cerimônia e destacou o legado deixado pela filha. Ela afirmou que a memória de Marielle continua inspirando a luta por justiça e pela defesa de direitos humanos em todo o país.
Marinete ressaltou que a família seguirá mobilizada para que casos semelhantes não se repitam. Segundo ela, a história da parlamentar permanece como símbolo da defesa das mulheres, das populações periféricas e das comunidades mais vulneráveis.
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, irmã de Marielle, também participou da celebração religiosa. Ela comentou a recente inauguração de uma estátua em homenagem à vereadora instalada no Buraco do Lume, no centro do Rio de Janeiro.
Anielle contou que serviu como modelo para a escultura criada em homenagem à irmã. Segundo ela, a experiência foi marcada por emoção e também por tristeza diante da lembrança da violência que atingiu a família.
A ministra afirmou que nenhuma família deveria passar por uma situação semelhante e destacou a importância de manter viva a memória de Marielle Franco e de Anderson Gomes.
Além da missa, outras atividades foram programadas para marcar os 8 anos do assassinato. Neste sábado ocorre a abertura da exposição Mulher Raça – O Legado de Marielle Franco no Centro Cultural Banco do Brasil, localizado na Rua Primeiro de Março, no centro da cidade.
No domingo, 15, a mobilização continua com a realização da 5ª edição do Festival Justiça por Marielle e Anderson, no espaço cultural Circo Voador. O evento reúne artistas, movimentos sociais e apoiadores da luta por justiça.
Também neste fim de semana, a organização Anistia Internacional promove uma ação no Largo da Lapa, no centro do Rio de Janeiro, para lembrar os 8 anos do crime.
A atividade será dividida em 2 momentos. O primeiro, chamado Cartas para Quem Defende Direitos, resgata a mobilização internacional que ocorreu após o assassinato de Marielle e Anderson.
A segunda parte da intervenção, chamada Cada Peça Importa, convida o público a refletir sobre defensoras e defensores de direitos humanos que ainda aguardam justiça no Brasil e em outras partes do mundo.
Segundo a Anistia Internacional, a mobilização popular foi fundamental para que o caso avançasse e chegasse à responsabilização dos envolvidos. A organização destaca que a luta por justiça continua e que muitos defensores de direitos humanos ainda enfrentam ameaças e violência.
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

