Imagens registradas por moradores de Congonhas, na Região Central de Minas Gerais, mostram cidade tomada por poeira de mineração. Além do incômodo, eles temem problemas de saúde causados pelas partículas.
A população denuncia que a poeira vem da Mina Casa de Pedra, localizada na serra de mesmo nome, da mineradora CSN.
“É uma situação recorrente, principalmente em época de seca, e nada é feito. Não só a situação da poeira, mas também que a cidade fica suja. E quando não é poeira, é barro, quando está chovendo”, disse uma moradora de Congonhas.
Os moradores afirmam que já fizeram reclamações na prefeitura, mas a situação acaba se repetindo.
2020: Moradores de Congonhas denunciam nuvem de poeira causada por mineradoras: riscos à saúde
2021: Moradores de Congonhas enfrentam nuvem de poeira emitida por mineradoras
Ações de mitigação
Em nota, a CSN Mineração afirmou que “realiza uma série de ações para reduzir a emissão” das partículas de poeira, como a umectação do ambiente e a cobertura vegetal de taludes que podem, pela ação do vento, gerar poeira.
A empresa disse ainda que, na época de seca, as ações são intensificadas, devido aos ventos de quase 50km/h que atingem a região.
A Vale, empresa que também possui empreendimentos minerários na região, a Prefeitura de Congonhas, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e a Agência Nacional de Mineração (ANM) foram procuradas, mas não se manifestaram até a última atualização desta reportagem.
Mineração intensa
O município de Congonhas concentra 13 empreendimentos relacionados à mineração, principalmente de minério de ferro.
A barragem da Casa da Pedra, da CSN, é a maior localizada em área urbana na América Latina, com um reservatório de quase 70 milhões de m³, de acordo com o projeto Manuelzão, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ela concentra rejeitos de tratamento do minério de ferro.
Segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM), a estrutura da barragem Casa da Pedra é estável e as operações estão dentro da na conformidade.
Em janeiro de 2022, a fiscalização da ANM identificou erosões e trincas em terreno natural, mas afastou qualquer possibilidade de rompimento. A estimativa é que cerca de 9 mil pessoas sejam afetadas em caso de ruptura.
Poeira em Nova Lima
Moradores de Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, também reclamam de poeira. Segundo eles, a origem do problema seria a mina Pau Branco, de minério de ferro, da Vallourec.
As operações da mina foram retomadas, abaixo da capacidade, em maio de 2022, após cerca de quatro meses suspensas devido ao transbordamento de um dique, em janeiro. A previsão era que o potencial de produção total fosse alcançado até o fim do segundo trimestre de 2023.
A reportagem questionou a Vallourec e a ANM sobre o assunto e aguarda retorno.

