O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), partiu para a ofensiva contra empresários que trocaram mensagens defendendo golpe de Estado. Por ordem do magistrado, a Polícia Federal cumpriu, ontem, mandados de busca e apreensão em endereços dos oito bolsonaristas. A operação ocorreu em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Ceará. A decisão do ministro foi tomada no inquérito que investiga milícias digitais criadas para atacar as instituições democráticas.

Além das buscas, Moraes determinou os bloqueios das contas bancárias dos empresários e de seus perfis nas redes sociais, a tomada de depoimentos e a quebra de sigilo bancário deles. Na semana passada, o jornalista Guilherme Amado revelou que as conversas do grupo num aplicativo de mensagem versaram sobre um golpe de Estado caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja eleito. O petista lidera as pesquisas de intenção de voto, com o presidente Jair Bolsonaro (PL) na segunda colocação. Segundo a reportagem, os empresários fizeram ataques, também, ao sistema eleitoral e manifestaram apoio ao ato de 7 de Setembro, convocado pelo chefe do Executivo.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filhos do presidente da República, fizeram críticas à operação. “PF em casa devido a mensagens de zap? Qual crime? É operação claramente para intimidar qualquer figura notória de se posicionar politicamente a favor de Bolsonaro ou contra a esquerda”, escreveu Eduardo. “É insano determinar busca e apreensão sobre empresários honestos, que geram milhares de empregos”, postou Flávio.

Além da família, aliados de Bolsonaro saíram em defesa dos empresários investigados. Nas redes sociais, a deputada Bia Kicis (PL-DF) classificou a operação como antidemocrática. “Se você não se indigna ao saber que a PF está fazendo busca e apreensão na casa de oito grandes empresários brasileiros por ordem do Xandão em razão de mensagens trocadas em grupo de WhatsApp, você não apoia a democracia”, enfatizou.

 


Paola Tito