O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal tome depoimentos de Paulo Costa Bueno, advogado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e de Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação Social da Presidência, no âmbito da investigação sobre mensagens atribuídas ao tenente-coronel Mauro Cid. O militar é delator no processo que apura a tentativa de manter Bolsonaro no poder após a derrota nas eleições.

Na semana passada, o advogado Eduardo Kuntz, defensor do coronel Marcelo Câmara, ex-assessor de Bolsonaro, informou ao STF que manteve conversas com Cid, via Instagram, sobre a delação premiada, o que violaria o sigilo do acordo. No entanto, em depoimento prestado à Polícia Federal na última terça-feira, Cid negou ter usado um perfil no Instagram para tratar do tema.

Antes da entrega das mensagens, o advogado Celso Vilardi, também da defesa de Bolsonaro, questionou Cid no STF, em 9 de junho, sobre eventuais conversas realizadas pelo Instagram sobre sua delação. Cid negou o contato e disse não reconhecer o perfil “GabrielaR702”, embora tenha confirmado que Gabriela é o nome de sua esposa.

Pouco depois, a revista Veja publicou mensagens atribuídas a esse perfil, abordando a delação de Cid. Os advogados do militar negaram a autoria e solicitaram a investigação da conta. Moraes atendeu ao pedido e ordenou que a empresa Meta enviasse os dados relacionados.

Após receber as mensagens, Moraes determinou a prisão de Marcelo Câmara e a investigação dele e de Kuntz por possível obstrução de Justiça. “São gravíssimas as condutas noticiadas nos autos, indicando, neste momento, a possível tentativa de obstrução da investigação”, afirmou o ministro.

Segundo os dados fornecidos pela Meta, há registros de conversas entre Kuntz, o perfil “GabrielaR702” e o advogado Paulo Costa Bueno. A defesa de Cid afirmou que Kuntz e Wajngarten tentaram contatá-lo por meio de sua filha menor de idade e que Wajngarten também teria procurado a esposa do militar. Além disso, Kuntz e Paulo Costa Bueno teriam abordado a mãe de Cid em eventos em São Paulo, numa tentativa de afastar a equipe de defesa inicialmente constituída.

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado


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